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Trilhas Urbanas: Cantigas dos Orixás disponíveis para download gratuito

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Trilhas Urbanas: Cantigas dos Orixás disponíveis para download gratuito

Reprodução / Salvador Update

A intolerância religiosa é um dos pilares do racismo institucional. O preconceito contra as religiões de matrizes africanas acontece desde os tempos do Brasil colonial, mas a ascensão dos movimentos cristãos neopentecostais tem agravado os espisódios de violência extrema, como a destruição de templos e agressões físicas a candomblecistas e umbandistas em todo país.

O Brasil precisa ter uma visão histórica das tradições dos orixás, saindo do obscurantismo da discriminação religiosas. Assim como lendas indígenas e outras tradições do folclore popular, os elementos das tradições africanas precisam ser naturalizados como parte da história do nossa identidade. Mesmo sendo lei o ensino de história e cultura negra nas escolas, na prática, o currículo escolar ainda não se abriu para a visibilidade de questões étnicas. Por isso, são importantíssimas ações que facilitem o acesso ao conhecimento sobre tradições afros.

O projeto Trilhas Urbanas, da Fundação Gregório de Matos (BA), disponibiliza gratuitamente para download 12 discos dedicados a Cantigas dos Orixás, executadas pelos grupos Ilê Fun Fun, do Terreiro da Casa Branca (Primeira Casa de Candomblé da Bahia, com 450 anos de fundação e primeiro monumento negro considerado Patrimônio Histórico do Brasil, desde 1984) e Mona Ngoma, do Terreiro Tumba Junçara em parceria com diversos terreiros de Salvador entre eles Vodun Zo, Ilê Axé Kalê Bokun e Ilê Axé Jitolu.

Os álbuns são dedicados aos principais orixás das afroreligiões como Iemanjá, Iansã, Oxalá, Xangô, Ogum, Oxum, Oxossi, Nanã, Oxumarê, Obaluaê e Xirê em arranjos de músicas de santo, que mesclam pop e erudito. Vale ir desbravando cada um com tranquilidade e conhecendo um pouco mais dos ritos fundamentais para a cultura negra.