MÚSICA

Vozes negras que devem balançar a música brasileira em 2018

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Vozes negras que devem balançar a música brasileira em 2018

Rimas & Melodias (Reprodução / Youtube)

A música é o ambiente mais popular para a cultura negra, em que as identidades e origens étnicas se fundem às tendências da indústria cultural e mobilizam o mercado fonográfico. Mas nem de só de apropriação cultural - do funk, do samba e da música de periferia - vive o momento da música brasileira. Novos artistas surgem no cenário como agentes transformadores e ressoando suas próprias vozes para redefinir a música negra em 2018 com mais protagonismo.

Diretamente inspirada em uma mescla entre a maravilhosa lista Mulheres Inspiradoras de 2017, da Think Olga, e da playlist imperdível do amigo e DJ Patrick Tor4, eis alguns dos principais nomes para ficar com os ouvidos bem atentos em 2018, ano que promete muita black music à brasileira.

ÀTTØØXXÁ (BA)

Depois de BaianaSystem, ÀTTØØXXÁ recoloca a Bahia no termômetro de hits para o verão. Após anos ofuscado pelas tendências mainstream de Funk e Sertanejo, o pancadão eletrônico baiano contemporâneo reinventa a axé music. Encabeçado pelo DJ e produtor musical Rafa Dias, junto com Oz (vocal e baterista), Raoni (vocal) e Wallace Carvalho (guitarra), o projeto já lançou dois álbuns e conquistou o Brasil com o lançamento em setembro de uma colaboração com Psirico, intitulada Popa da bunda (Elas gostam).

Aninha Martins (PE)

Um dos principais nomes da cena Beto, movimento pernambucano pós-manguebeat com fortes influências da psicodelia setentista, a jovem cantora tem uma performance visceral e expressiva, arrebatando palcos. Graças a um financiamento coletivo, se prepara para lançar seu álbum de estreia, Esquartejada.

Baco Exú do Blues (BA)

Com o lançamento do seu primeiro disco, Esù, neste ano, o rapper soteropolitano Beco Exú do Blues arrebatou a crítica e conquistou o público com o hit “Te Amo Disgraça”. O som que mistura o hip hop tradicional ao som de gueto urbano de Salvador, traça pontes entre o sagrado e profano, o mortal e o divino, entre conservadores e liberais.

Bad$ista (SP)

DJ e produtora de Itaquera, periferia de São Paulo, Rafaela Andrade é conhecida nos bastidores por produzir músicas para artistas como Linn da Quebrada. Seu trabalho autoral começa a fazer barulho ao participar de coletâneas, como do selo Enchufada, em que se destaca com forte influência da cena bass music e acento paulistano.

Héloa (SE)

Héloa é sergipana radicada em São Paulo, e seu som imprime essa marca de “retirante” que flerta entre as origens nordestinas e o amadurecimento cosmopolita. Suas marcas pessoais estão expressas em EU, primeiro álbum, e seu teu trabalho reflete sua biografia entre vivências, amores, viagens, e dança.

IZA (RJ)

A carioca IZA Lima é uma das principais apostas do pop brasileiro. Em 2017 deu grandes passos que mostrou ser mais do que uma promessa, lançando I Put a Spell On You e Pesadão (seu single ao lado de Falcão, dO Rappa). Estamos de olho nela desde o hit Vou Te Pegar (que já saiu com superprodução em videoclipe, estrelado ao lado do galã José Loreto) e sua participação no Rock in Rio, em setembro, quando subiu ao palco ao lado de CeeLo Green (Goodie Mob e Gnarls Barkley). Seu primeiro álbum deve sair no começo de 2018.

Larissa Luz/BA

A cantora baiana usa sua voz à favor da sua luta como negra, descolonizada e empoderada. Seu disco “Território Conquistado”, indicado ao Grammy, já mostra o quanto é politizada e fala abertamente sobre empoderamento da mulher e representatividade negra. Em 2018, Larissa deve mostrar um novo disco com produção de Rafa Dias, do ATTOOXXA.

Lellêzinha (RJ)

A cantora e dançarina à frente do grupo Dream Team do Passinho estreou como apresentadora do Multishow durante a transmissão do festival Rock in Rio. Junto com o grupo, também subiu ao palco do show da cantora Alicia Keys para performar uma das músicas ao lado da cantora. Lellêzinha é uma das mais promissoras faces do pop funk carioca ao lado de Iza.

Linn da Quebrada (SP)

A “Bicha, Preta e Favelada” lacração do ano, a cantora da periferia paulistana chegou a ser comparada com Beyoncé ao lançar um álbum visual com 14 clipes. Pajubá aborda sua transexualidade com irreverência e força. É uma das personalidades presente no filme Meu Corpo é Político de Alice Riff.

Luedji luna/BA

A nova cena da Bahia está mesmo com tudo. Na vertente afro-pop, com referências da rumba congolesa, surge a voz suave de Luedji luna, com belos elementos percussivos da música baiana e africana.

OQuadro /BA

Espera aí que tem ainda tem mais Bahia na lista. E tome diversidade com afro-percussiva aliado ao rap com a banda OQuadro. Mesmo com 20 anos de carreira, desponta com um ótimo disco de 2017.

Rimas & Melodias

O coletivo que une artistas, cantoras, rappers e DJ de diversas partes do país, lançou seu primeiro álbum em 2017. Juntas, lt Niss, Drik Barbosa, Karol de Souza, Stefanie, Tássia Reis, Tatiana Bispo e DJ Mayra Maldjian, cantam (e rimam) sobre ser mulher, negra, rapper ou cantora no Brasil.

Xênia França /BA

Manda mais baianidade que está pouco. Para fechar a lista com muita força e personalidade, fica a dica de ouvir muito em 2018 as batidas de Xênia França, um show de empoderamento feminino e negro para olhos e ouvidos. Conhecida pelo vocais da banda Aláfia, lançou seu primeiro disco solo em 2017, mesclando ritmos como MPB, eletrônica e jazz. Seu trabalho não se esquiva de falar sobre machismo e, principalmente, racismo, fazendo várias referências às ancestralidades africanas. 

Quer mais? Para além das africanidades, vale muito sacar a seleção de promessas 2018 por Patrick Tor4