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A campeã paralímpica que optou pela eutanásia

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Na Bélgica, a eutanásia é permitida desde 2002

A campeã paralímpica que optou pela eutanásia

Aos 14 anos, a belga Marieke Vervoort foi diagnosticada com uma tetraplegia incurável. Desde então, ela convive com fortes dores e desmaios ao longo do dia, que só são amenizados por meio de fortes medicamentos.

Isso não a impediu, no entanto, de manter uma vida ativa. Com o passar dos anos, Marieke passou a treinar atletismo em seu país. Em pouco tempo, o resultado veio: a belga foi campeã paralímpica em Londres 2012, além de ter faturado medalhas de prata e bronze no Rio, em 2016.

As dores, porém, se intensificaram. Desde agosto, ela começou a sofrer com frequentes espasmos, além de ter perdido parte da visão e ter problemas com insônia, conseguindo dormir apenas quatro horas consecutivas. 

Todo esse contexto fez com que ela tomasse uma drástica decisão: a de passar pelo processo de eutanásia. Na última semana, ela deu entrada em um hospital em Bruxelas, onde a prática é legalizada, para passar pelo procedimento nos próximos dias.

O que é a eutanásia?

Em suma, é o ato de levar ao paciente que está em estado terminal ou sob uma enfermidade incurável uma morte rápida e sem dor. 

O tema é tabu e geralmente associado como um suicídio assistido. Para muitos, seria algo como liberar o assassinato. No entanto, aqueles que advogam a favor da eutanásia dizem que ela nada mais é do que permitir que o indivíduo em estado terminal, portador de doença incurável e que demonstre desejo conscientemente, possa passar pela experiência da morte de forma digna e sem sofrimento desnecessário, sem a utilização de métodos invasivos para a prolongação da vida. Ou seja: uma morte natural para quem deseja isso.

A eutanásia é comumente classificada em duas categorias distintas: eutanásia ativa e a eutanásia passiva, também conhecida como ortotanásia.

A primeira ocorre quando alguém, geralmente um médico, provoca a morte de um doente terminal após o consentimento dele ou de parentes, por meio de procedimentos como injeções letais. 

A segunda, por sua vez, acontece quando o paciente decide ter sua medicação ou tratamentos suspensos, por já não serem efetivos ou até prejudicarem a pessoa. 

Como funciona no Brasil e em outros lugares do mundo?

No Brasil, a eutanásia ativa é considerada um crime. De acordo com o Código Penal brasileiro, as penas para quem causa a morte de um doente podem variar de dois a seis anos, quando comprovado motivo de piedade, a até 20 anos de prisão.

A passiva, por sua vez, é uma prática não prevista por lei, mas permitida no Brasil por uma resolução do Conselho Federal de Medicina. 

Nem todos os países encaram a eutanásia da mesma forma. Holanda, Suíça, Canadá, Colômbia e Estados Unidos, por exemplo, permitem a morte dependendo do caso. Na Bélgica, a eutanásia é permitida desde 2002.