A crítica situação dos presídios no Brasil

A crítica situação dos presídios no Brasil

Collection Crime

Dois presos para cada vaga. Essa é a nossa realidade.

De acordo com o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias divulgado na última semana, há hoje no Brasil dois presos para cada vaga disponível.

O estudo mostra que o número de detentos aumentou em mais de 100 mil em menos de dois anos - de 622 mil em 2014 para 726 mil em 2017. Isso representa quase o dobro das 368 mil vagas existentes. Para que não houvesse mais superlotação, o Estado deveria construir praticamente uma penitenciária por dia durante um ano.

Construir tantas detenções custaria cerca de R$ 12,9 bilhões. Manter tantas penitenciárias funcionando também traria custos altíssimos para o país.

Abaixo, ajudamos a entender um pouco da crítica situação dos presídios no Brasil:

Por que tanta gente presa?

Tudo gira em torno de uma política de encarceramento em massa. A Lei das Drogas, de 2006, por exemplo, é citada como uma das principais responsáveis pelo aumento do número de presos. Tal lei endureceu a punição aos traficantes, mas não estabeleceu uma distinção clara entre quem vende e quem é apenas usuário. 

Além disso, outro problema é a investigação precária dos casos policiais. Prende-se frequentemente sem que haja quaisquer outras provas além de testemunhos. Uma pesquisa da USP, de 2012, mostrou que 74% das prisões por tráfico em São Paulo tinham policiais militares como únicas testemunhas no processo. 

A demora nos julgamentos e a falta de advogados públicos de qualidade também contribuem para que quem esteja preso injustamente não saia de lá tão cedo.

O índice de violência diminuiu com as prisões? Não. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2013, o Brasil registrou 55,8 mil mortes violentas. Em 2016, houve 61 mil casos, o que representa um crescimento de 9,5%.

Isso mostra o óbvio: prisões excessivas não representam uma melhoria na qualidade da segurança pública do país.

Ressocialização nas cadeias

A prática da ressocialização decorre da necessidade de oferecer ao preso as condições para que ele possa se reestruturar a fim de voltar a sociedade sem que cometa mais crimes.

Hoje, no entanto, existem pouquíssimas cadeias que adotam efetivamente tal prática. Aplicado atualmente em 43 cidades brasileiras, o método alternativo de ressocialização proposto pela Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC) apresenta a homens e mulheres presos conceitos como responsabilidade, autovalorização e solidariedade, retirando o preso do ambiente prisional convencional. Segundo a FBAC, tal processo reduziu em 30% a reincidência criminal dos presos. 

Conclusão: a prisão deve ser um lugar com medidas socioeducativas, sem que haja aberturas para o aprimoramento da escola do crime.

Be the first to like it!

People also liked

Related stories
1.The Couple That Sold Everything To Find Freedom
2.6.) The Worlds First Look At Kendall K
3.Now in the Spotlight: The women behind "Hidden Figures"
4.The money-is-no-object wedding
5.Meet the #H8rs!!
6."Murder is hot" in the media
7.Beautifully sustainable leather made from pineapple waste
8.Chinese New Year ??
9.Have you seen The 100 ?
10.Top architectural wonders mix of history & future
500x500
500x500