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Atletas transexuais: entenda a polêmica

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A jogadora de volêi Tiffany Abreu reacendeu a polêmica em torno do assunto

Atletas transexuais: entenda a polêmica

Em apenas três partidas no ano, a jogadora de volêi Tiffany, do Bauru, já fez 70 pontos na Superliga feminina. É uma impressionante média de 23,3 por partida - disparado, a melhor da liga.

O desempenho de Tiffany, no entanto, chama a atenção por um outro fator. Ela é a primeira atleta transexual da história do campeonato.

Batizada como Rodrigo, ela mudou de sexo em 2014, mas continuou jogando por clubes masculinos até o início de 2017, quando passou a disputar partidas entre as mulheres. 

Meses antes, ela passou por uma cirurgia de mudança definitiva de sexo, ainda que isso não seja mais algo necessário para transexuais participarem de campeonatos profissionais.

Atletas transexuais: entenda a polêmica

A transexualidade

Transexual é aquele cuja cuja identidade de gênero difere da designada no nascimento e que procura fazer a transição para o gênero oposto através de intervenção médica, podendo ser redesignação sexual, ou seja, ocorrendo a troca dos membros genitais, ou apenas feminilização/masculinização por meio de hormônios, dependendo do gênero a ser modificado. 

Histórico

Desde 2003, a Comissão Médica do Comitê Olímpico Internacional (COI) passou a se pronunciar a favor de que atletas que tivessem passado por cirurgias de mudança de sexo pudessem competir sob o novo gênero nos Jogos Olímpicos.

Apesar de ter sido um importante avanço, a decisão restringiu a participação somente àqueles que tivessem passado por cirurgia.

Em 2015, no entanto, o COI voltou a se pronunciar, reduzindo a elegibilidade para atletas trans ao permitir que homens e mulheres trans competissem em eventos esportivos internacionais com menos restrições.

Os requisitos

A partir de 2015, duas condições precisaram ser observadas para que a atleta pudesse competir nas categorias femininas.

A primeira, que ela se identifique como do gênero feminino, ciente de que a preferência indicada não poderá ser alterada por no mínimo quatro anos.

A segunda, que seu nível de testosterona no sangue seja inferior a 10 nmol/l por no mínimo 12 meses antes da competição, a fim de evitar quaisquer vantagens sobre as outras atletas.

Para os homens trans, não há nenhuma restrição.

A polêmica

Diversos atletas receberam a decisão com indignação, principalmente em se tratando das atletas trans que passaram do sexo masculino para o feminino.

Segundo eles, por ter vivido toda uma vida com alto nível de testosterona, as atletas transexuais teriam vantagens em relação aos outros. Os impressionantes números de Tiffany, por exemplo, foram questionados por diversos atletas.

A ex-jogadora Ana Paula foi uma das que se opôs à participação de Tiffany na Superliga. "Muitas jogadoras não vão se pronunciar com medo da injusta patrulha, mas a maioria não acha justo uma trans jogar com as mulheres. E não é. Corpo foi construído com testosterona durante a vida toda. Não é preconceito, é fisiologia. Por que não então uma seleção feminina só com trans? Imbatível!", ela postou em rede social.

É preciso ter em mente, no entanto, que competições esportivas têm que entender seu papel na construção de uma sociedade que não reproduza práticas discriminatórias.

É evidente que o controle dos níveis hormonais tem que existir, de modo a não prejudicar outros atletas, mas reconhecer e validar a participação de atletas transexuais em competições oficiais é um importante avanço.