COMPORTAMENTO

Hora de levar o amor a sério

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Não lembro bem a idade. Acho que uns 5 anos.

Era o jardim ou pré.

Tinha uma namoradinha na escola. Brincávamos que éramos namorados.

Acho que nunca tinha sequer pegado na sua mão. Mas lembro do que sentia.

Contamos para alguém na escola e tiraram sarro de nós. Algum adulto disse que não era possível namorar naquela idade.

Alguns anos depois, uns 7 ou 8 anos.

Eu e meus primos tirávamos sarro uns dos outros. Cada um falava de quem gostava na escola e os outros faziam piadas com o nome.

Lembro de correr do meu primo mais velho na festa junina na escola, com medo dele descobrir de quem eu gostava e fazer alguma brincadeira comigo na frente dela.

E dali em diante então, por vários anos, a minha relação com o amor não foi muito saudável.

Ouvia histórias de pessoas que se apaixonaram e perderam tudo.

Ouvia conselhos de que não podia deixar uma mulher saber que você gosta dela para ela não pisar em você.

Ouvia comentários de gente que desprezava quem estava amando.

“coitado, tá todo apaixonadinho”, “está cego pelo amor”, “tsc, tsc, foi mordido pelo amor”

Eu nem tinha consciência de como observar a tudo isso influenciou minha relação com o amor.

O amor é algo que assusta. Que eu tenho que ter medo. Um oceano em que não posso me jogar.

Ouvia piadas sobre pessoas que se casaram. Que casamento era uma piscina gelada, onde as pessoas diziam que era bom, mas na verdade era ruim. Que casamento era o game over.

Via histórias de divórcio. De gente que perdeu dinheiro porque casou e se separou.

E assim, pouco a pouco, fui fechando o coração.

Tive minhas decepções amorosas na adolescência. Tive amores não correspondidos. Sofri desilusões e não me ensinaram a lidar com minhas emoções.

E a solução encontrada foi fechar o coração ainda mais. Blindar. Colocar num cadeado. Trancar no porão. Colocar grades nas janelas e insulfilm no vidro.

E aí depois de tudo isso, começo a ler livros que me falam que tenho que escutar o coração. Começam a falar do poder do coração.

Mas como escutar algo que está escondido lá dentro do porão, congelado, com isolamento acústico, embalado a vácuo, esquecido?

Mergulhei em muitos processos e até hoje vivo esse desafio diário.

Meu coração vai se abrindo. Se descongelando e ao menor sinal de perigo, se fecha novamente.

Tenho transitado por feedbacks imeditados de sentir amor de forma intensa e não sentir nada. Em me abrir e acessar abundância por isso e me fechar novamente e travar o fluxo.

Até atingir a compreensão das minhas crenças limitantes sobre o amor.

Quando queremos curar nossa relação com o dinheiro, vamos estudar as crenças que temos sobre o dinheiro. Queremos ter dinheiro e vamos atrás de aprender sobre isso e estudar o que as pessoas fazem para ter dinheiro.

Mas o que as pessoas fazem para sentir amor? Por que não se estuda isso?

Por que não fazemos a mesma coisa com o amor?

Eu descobri que o que me impede de me abrir ainda mais para a vida são as crenças distorcidas sobre o que é o amor.

Coisas como essas que descrevi acima.

E que quando eu observo a mim mesmo, eu encontro essas crenças. Aí tomo consciência. E quando tenho consciência que elas existem, eu consigo ressignificá-las.

É hora de levarmos o amor a sério.

O amor não é baboseira. Coisa de músico apaixonado. Não é uma ilusão e nem é coisa do passado.

O amor é real e é talvez o que existe de mais importante e valioso na nossa existência.

É um tema tão mal compreendido e tão pouco estudado que vivemos numa sociedade com escassez de amor.

Casais que vivem a vida juntos e não se amam. FIlhos que não conseguem amar seus pais. Pais que não conseguem dizer que amam seus filhos. Homens e mulheres e que passam a vida sem ter sentido amor por alguém. Gente que nunca conseguiu amar a si próprio na vida.

Pessoas morrem por falta de amor.

Pessoas tiram suas vidas por não conseguirem sentir amor.

Pessoas passam a vida toda buscando viver o amor.

Pessoas querem amar seu trabalho.

O amor é importante. É chave.

É hora de levarmos o amor a sério…