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Oficina de Ilustração e Produção Literária é destaque na Bienal

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(Matéria produzida para a disciplina de Jornalismo Cultural em Outubro de 2017)

Presença constante nos 10 dias de Bienal Internacional do Livro em Maceió. A Oficina de Ilustração e Produção Literária, ministrada pela artista plástica Myrna Maracajá, realmente foi um dos destaques do evento. Não apenas por fazer parte diariamente da programação, mas por seu aspecto único e surpreendente.

Myrna Maracajá é pernambucana. Dona de uma nordestinidade singular, facilmente notada no seu sotaque, fala com propriedade sobre tudo o que as pessoas daqui vivem. Sobre o que viu e viveu durante todos os seus anos de vida. E isso é algo que ela faz questão de deixar transparecer. Ela destaca em vários momentos que a vivência e o experimentar são fundamentais.

Logo quando chegamos fomos pegos de surpresa com uma sugestão inusitada. "Quem quiser pode deixar seus calçados ali no canto". Ela explica depois que a sugestão se deve à idéia de manter um contato mais próximo com o ambiente. Pedir para que a gente se sentasse perto dela também é parte desse pensamento de trocar energias com o público.

Aliás, toda a oficina teve esse aura de tranquilidade, de contato próximo entre as pessoas. A turma de ensino médio de uma escola da capital que se juntou à nós logo em seguida tinha muitas perguntas. A história de vida de Myrna, diagnosticada com dislexia logo cedo, e todas as suas dificuldades e superação incitavam curiosidade. Onde estávamos sentados, uma dezena de livros, todos ilustrados por ela, cartilhas... trabalhos de toda a sua carreira.

Logo depois que a turma foi embora, só eu e uma colega de faculdade. Assim como no início, apenas nós e Myrna. Ela nos convidou à sentar mais perto dela, e como em uma conversa entre amigos, trocamos pensamentos.

Seu trabalho com ilustrações busca atingir à todos os públicos. O trabalho que alçou ela à fama nacional, uma série de ilustrações para o suplemento da Folha de São Paulo, a Folhinha, tinha como foco o público infantil, mas visava atingir o público adulto também. O trabalho em questão foi produzido para o pós 11 de setembro, data em que ocorreu a tragédia das Torres Gêmeas, em Nova York.

Hoje com uma carreira consolidada ela diz que um de seus últimos trabalhos, com traços de desenho infantil, é uma volta ao que ela fazia no passado. Como ideologia que ela segue em sua própria vida, a liberdade para externalizar o que sente ainda é visto por ela como um de seus deveres, como ser humano e artista.