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Um outro olhar em direção ao Nordeste

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(Texto produzido para a disciplina de Realidade Sócio-Econômica Politico, Brasileira e Regional, em 2017)

A idéia de que o Nordeste era a região mais próspera do país no período de pré-divisão política e territorial como conhecemos hoje do país, traz à nossa mente um histórico de preconceitos sofridos com frequência à respeito de tudo aquilo que circunda essa região. A imagem da pessoa do Sertão, perecendo com a seca e com a fome, faz parte de um imaginário que muitas vezes é evocado como forma de menosprezo.

"O nordestino carrega consigo o estereótipo de atraso da região flagelada pela falta d’água. Este estigma teve origem na própria formação da região, período marcado por grandes secas e mudança do eixo de desenvolvimento do país para o centro-sul. Esse processo de submissão simbólica ocasiona a tentativa de retomada do poder de significação." (2010, p. 9)

A idéia histórica do nordestino que sofre preconceito e é perseguido em São Paulo é algo real. A Delegacia de Crimes Radicais e Delitos de Intolerância de São Paulo (Decradi), criada no início dos anos 2000, é a única do seu gênero no estado. Segundo dados de 2015, foram contabilizados 87 casos que envolviam raça, cor ou procedência nacional. Entre eles, com mais evidência, casos contra negros e nordestinos. O que revela que a questão do estereótipo não morreu com o tempo. Se antigamente ocorria de forma aberta, hoje acontece de forma velada. Iniciativas como a criação da Decradi e campanhas de conscientização acabam por colocar essas pessoas sob risco de punição, os fazendo cometer seus crimes de preconceito de forma mais sorrateira.

Por outro lado há também o orgulho do povo que reside nessa região. O orgulho corre em paralelo com a identificação do indivíduo com o lugar onde vive e essa identificação é construída à partir de tudo que faz parte do seu entorno. Pode-se dizer que a música, o cinema e os festejos locais são fatores chave para que isso ocorra.

As músicas que retratam o povo romeiro, os devotos do tão popular Padre Cícero, são um bom exemplo disso. Não é raro encontrar essas canções sendo reproduzidas. É fácil encontrar também lavadeiras de roupa cantando canções típicas repassadas de geração pra geração, enquanto lavam suas roupas na beira do rio.

A imagem do Nordeste construída pelo próprio povo nordestino e pela mídia, forma então um contraste. Se por um lado existem as pessoas que se orgulham e carregam consigo tudo aquilo que é característico, por outro lado, temos uma visão extremamente negativa perpetuada. Essa de que o Nordeste está sempre em condição desfavorável, fazendo então que suas características únicas sejam vistas então como símbolos de inferioridade. Se observado o lado de lá, com sua imagem moderna e desenvolvida.