O colapso de uma figura maternal

Henriques
Author Henriques
Collection Vida

29/07/2018 Domingo 22:36

Depois de muito ponderar, sinto que tenho a necessidade, talvez até possa considerar uma obrigação, de proclamar ao mundo, a indignação que sinto, algo que não consigo transmitir a ninguém, talvez por orgulho, talvez por medo, talvez por o que pode vir a acontecer se eu realmente disser o que sentir, pois bem, já que não consigo transmitir por palavras o que sinto, tenho que o escrever, tal como se a escrita fosse uma forma de libertar os meus sentimentos, de realmente puder ser quem sou, de puder dizer tudo o que devia ser dito, de ser EU. Chego a esta conclusão, porque depois de muitos episódios, sinto que não consigo aguentar mais a pressão desta vida, não que seja diretamente relacionada comigo, mas com uma parente sobre a qual tenho um grande afeto, acho que hoje foi mesmo a gota de água num copo que já se vinha a encher à muito tempo, num almoço de família que tinha tudo para ser uma coisa normal de Domingo, uma conversa menos bem “interpretada” leva a uma descomunal discussão, onde são atirados argumentos de uma ponta a outra da mesa de almoço, o que será que fica um miúdo, sim, apesar de ter 16 anos, ainda me considero um miúdo, perante tal situação, em que assiste a uma discussão e fica boquiaberto com o que está a ver, será que me pergunto, o que será que lhe aconteceu? Desde uma pessoa tão alegre até chegar a este ponto, onde chora por tudo e por nada e onde parece que o raciocínio já não chega a níveis de outrora, será que a culpa é da própria pessoa, que cavou um buraco tão fundo que já nem sabe como saíra dele, ou será de tudo o que já acumulou, devido a experiências de vida indesejadas, vivências menos boas, pois, depois de pensar e repensar, deparo-me sempre com a mesma conclusão, não sei, e este não sei dá-me uma raiva que não consigo exprimir, nem mesmo sobre palavras, visto que é como, estares a assistir a uma pessoa tão importante na tua vida a ir por caminhos que provavelmente vão acabar por acabar com ela e estares a ver isto e pensares o que podes fazer e chegas a conclusão que nada, é um sentimento tão ingrato, é uma impotência tão grande que chega a ser absurdo. Mas, é como tudo na vida, uma pessoa tem de continuar, mas será que ainda há forças para continuar? Será que vale a pena o esforço todo pela pessoa para continuar na mesma situação? Será que devemos atirar a toalha ao chão? Ao analisar estas perguntas, o único sentimento que me faz não desistir e continuar a lutar tem um nome, chama-se amor, sim, amor, uma coisa tão boa e tão má ao mesmo tempo, que nos faz cometer as parvoíces mais insignificantes deste planeta ainda menos insignificante ou que nos faz lutar por algo que se calhar não vale a pena lutar, é este o meu sentimento sobre a palavra amor, tenho de confessar que tenho um grande ódio sobre o amor, deixa as pessoas cegas e a fazer coisas que não valem a pena, mas é como diz o velho ditado: “a esperança é a única morrer”, e acho que é isso que me resta, a esperança de uma vida melhor, a esperança que um dia cheguerei ao pé dessa pessoa e que ela esteja de braços abertos e com um sorriso na cara para me receber como se tivesse 20 anos outra vez, é essa realmente a minha esperança, sei que isto pode parecer uma tolice e, já ando à muito maluco, mas é isto que me faz acreditar, a esperança.

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