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Aviação: startups que estão usando estratégias inovadoras

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Foto: beasty/Unsplash
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A aviação no Brasil se desenvolveu muito ao longo dos últimos anos: de um modal restrito para trechos específicos ou viagens muito longas, o avião tornou-se uma opção relevante para pessoas que viajam com frequência, como para trabalhar ou visitar a família. Essa popularização muito se deu pelas campanhas de preços baixos que algumas companhias aéreas realizaram, mas também porque houve uma mudança de mentalidade nos usuários.

“Em 2001, eram vendidas 100 milhões de passagens do Brasil, das quais 70 milhões eram passagens de ônibus e 30 milhões passagens aéreas. O cenário mudou em 2016, quando o número de passagens foi para 130 milhões, com 100 milhões de passagens de avião e 30 milhões de passagens de ônibus”, conta Max Oliveira, co-fundador e CEO da MaxMilhas. Para Oliveira, a Gol Linhas Aéreas teve uma grande participação nessa mudança. “A Gol fez campanhas com preço baixo até 2012, 2013. Mas aí viu que o modelo não funcionava e passou a investir em diferenciais de qualidade, com mais tecnologia e isso também contribuiu para os números mudarem”.

Quando uma aviação mais acessível é o assunto, o principal caminho que vem em mente para essa acessibilidade é a redução dos preços, mas não é essa a realidade. O CEO da MaxMilhas explica que a aviação hoje não é acessível porque tem preços baixos, mas porque oferece mais opções de passagens e trechos regionais: “A acessibilidade hoje não é em preço, é em disponibilidade”.

Max Oliveira explica que a ideia da criação da MaxMilhas surgiu quando ele percebeu que as coisas estavam mais caras e mais difíceis e que, através desse modelo de negócio, ele conseguia disponibilizar passagens mais acessíveis. “Hoje, as milhas ainda são baratas, apesar disso também estar mudando, ainda é mais barato viajar com milhas”.

Ele ainda conta que a startup não é uma concorrente das companhias aéreas, até porque trabalha em parceria com elas, mas que é uma opção para as pessoas que dependem de preços mais baixos para viajar. “O nosso público não é o público que pode pagar por uma passagem mas prefere economizar, é o público que, se não conseguir um desconto, deixa de viajar”, reforça. “Nossos principais compradores são os que trabalham longe da família ou que namoram pessoas de outros estados, que viajariam mais de uma vez no mês, se pudessem”.

O compartilhamento de aviões também surgiu como uma opção a uma outra categoria de viajantes: os que podem viajar normalmente, mas que pagariam um pouco a mais por mais conforto e luxo. A Flapper é uma startup que trabalha com uma rede de aviões e helicópteros compartilhados e com o aluguel de aviões particulares, permitindo o agendamento de viagens sem antecedência e de serviços personalizados de acordo com as necessidades de cada passageiros.

“A Flapper tem duas linhas de negócio: por um lado, a Flapper ajuda os clientes correntes de aviação privada a escolher a melhor opção de aluguel de aeronaves. Por outro lado, está comprometida em trazer voos privados para pessoas comuns, utilizando a economia compartilhada por meio de venda de assentos. Como resultado, às vezes você pode voar um avião privado por 600-800 reais”, explica Paul Malicki, co-fundador e CEO da Flapper. Ele conta que a ideia de criar a Flapper surgiu quando percebeu que a aviação doméstica não tinha primeira classe, apesar de saber que as pessoas que faziam várias pontes-aéreas teriam condições de pagar por mais conforto. Para Malicki, a aviação do Brasil está crescendo e tende a crescer mais.

“Primeiramente, acredito que todo mundo merece voar. Nos últimos anos, o menor custo das tarifas contribuiu para o aumento na quantidade de passageiros na aviação comercial. Os principais índices de qualidade dela também estão melhorando substancialmente no Brasil, estando acima até mesmo da média mundial”. Diante desse mercado, o diferencial da Flapper, segundo Paul Malicki, é o fato de conseguirem oferecer um serviço corporativo premium - mercado pouco explorado no Brasil.

As estratégias para o crescimento da aviação no Brasil são variadas. Max Oliveira acredita que a popularização das milhas seja muito importante para esse crescimento, apesar da inflação nas companhias aéreas também está atingindo essa modalidade de compra. Para Malicki, o desafio maior é a competição na disponibilidade de voos em questão de horários, trechos e distâncias menos procuradas, o que limita muito as escolhas do usuário.

Texto original de Ana Luiza Morette para a revista do Instituto parar.