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Carros compartilhados: como a mudança cultural impulsiona um novo modelo de negócio

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Carros compartilhados: como a mudança cultural impulsiona um novo modelo de negócio

"Em 2025, ter um carro será como ter um DVD hoje”. A visão do CEO da Lyft, maior concorrente do Uber, John Zimmer, reflete um cenário em que a posse do automóvel está sendo cada vez mais questionada.

No Brasil, segundo pesquisa da Delloite, 62% dos jovens não acham mais necessário possuir um veículo no futuro. Lá fora, onde novos serviços de mobilidade compartilhada funcionam há mais tempo, a mudança de comportamento já começou a acontecer. No Reino Unido, por exemplo, um terço das famílias jovens (com até 34 anos) não tem veículo em casa. Um aumento de 20% em 18 anos.

Isso acontece porque alternativas ao carro próprio estão crescendo em ritmo acelerado. Para alguns especialistas do setor automotivo, os serviços de carona e carsharing, ou compartilhamento de carros, serão apenas as primeiras etapas de uma grande revolução que vai culminar no carro autônomo. A mobilidade está cada vez mais sendo encarada como um serviço e, por isso, a conveniência e a facilidade de acesso são determinantes para a escolha de um modal.

É esse diferencial que as empresas de carsharing estão tentando potencializar em todo o mundo. Utilizando das mais novas tecnologias digitais para tornar a mobilidade mais inteligente e resolver problemas como a ociosidade dos veículos, os altos custos de um carro próprio e a poluição causada pelos veículos à combustão. Para se ter uma ideia, os carros ficam parados, em média, 95% do tempo. Ou seja, durante esse período, ele está totalmente ocioso, apenas ocupando espaço em garagens, estacionamentos ou vagas direcionadas.

Sem dúvidas, o compartilhamento de veículos é um tendência. Vancouver, no Canadá, tem mais de 3 mil carros compartilhados, que estão sendo utilizados por 2,5 milhões de pessoas. Quatro empresas operam o serviço na cidade e ele vem ganhando cada vez mais adeptos. Enquanto, em 2013, 13% dos adultos utilizavam o carsharing, atualmente, esse número chega a 26%.

Já em Montreal, as discussões estão mais avançadas. O plano de mobilidade da cidade está estudando como integrar o compartilhamento aos veículos elétricos e autônomos. A ideia é ter diversos polos de mobilidade, com ofertas complementares. Em um raio de 100 metros, o usuário vai ter a chance de encontrar carro compartilhado, bicicletário, ônibus, metrô etc. Um futuro multimodal que já está sendo levado em consideração.

Outro case interessante está acontecendo na Cidade do México. Com 9 milhões de carros circulando, a região tem um dos piores congestionamentos do mundo (a população passa, em média, 3 horas por dia dentro do carro). O Carrot, sistema de carsharing da cidade, possui 110 veículos compartilhados e as taxas de avarias não chegam a 1%. “Nós confiamos na sociedade e eles nos pagaram com respeito”, disse Jimena Pardo, CEO da Carrot, em evento realizado no Canadá. Recentemente, uma pesquisa realizada com o usuários do serviço, revelou que 20% venderam os seus carros, 74% adiaram a decisão de comprar um carro e 30% estão dirigindo menos.

Um comportamento parecido também está sendo compartilhado pelos usuários da Zipcar, nos Estados Unidos. Em pesquisa feita pela companhia, 80% dos "zipsters" revelaram que não possuem carro próprio e 43% disseram que venderam seu veículo após começarem a utilizar o serviço.

Levantamentos globais indicam que esses não são casos isolados. Um estudo do BGC prevê que, em 2021, 35 milhões de pessoas serão usuárias de car sharing na Europa, Ásia e América do Norte, o que vai reduzir as vendas de veículos no mundo em 550 mil unidades e causar uma perda de receita para as montadoras de 7,4 bilhões de euros (o equivalente a mais de 30,2 bilhões de reais).

Um carro compartilhado pode tirar de 10 a 30 carros das ruas. Segundo especialistas do MIT, quando o carsharing tomar conta das cidades, nós vamos precisar de apenas 20% dos carros que usamos hoje. Já imaginou o impacto disso na estrutura dos espaços urbanos? Isso significa mais espaço para pedestres e ciclistas e uma oportunidade para as pessoas explorarem a cidade de uma nova forma.

Modelos de Carsharing

Round trip carsharing ou Two-way carsharing (ou Return Carhsaring): membros de uma organização pública ou privada podem emprestar carros em locais designados e devem retorná-los ao mesmo local após o uso.

One-way carsharing: como o anterior, mas permite a devolução em quaisquer outras estações da rede de carsHaring (o mesmo que acontece com os empréstimos de bicicleta atuais, por exemplo)

Free floating carsharing: operadores da frota de carros compartilhados cobram por minuto de utilização e veículos podem ser locados e deixados em qualquer ponto da cidade.

Ridesharing/lifsharing: indivíduos dividem uma corrida para o mesmo destino e dividem os custos da viagem. Há quem diga que o Uber é um serviço de Táxi e que o Uberpool é um serviço de carsharing.

  • Texto original de Karina Constancio e Ana Luiza Morette para a revista do Instituto Parar.