CIDADES

Carros compartilhados: uma realidade na mobilidade urbana do Brasil

Author
Carros compartilhados: uma realidade na mobilidade urbana do Brasil
Foto: Kim Daniel/Unsplash

[Este artigo é a continuação de outro artigo sobre mobilidade oferecido pelo Instituto Parar.]

O Brasil também já tem seu próprio case de carsharing. A iniciativa é do empresário Leonardo Domingos, que já vinha de uma experiência de aluguel de carros de luxo à frente da LDS Group, e do seu sócio no projeto, Paulo Moura. A proposta da Urbano é diferente das outras empresas que já surgiram no país com projetos de compartilhamento de veículos, garante Moura. “Existem três pontos que diferenciam a Urbano de todas as iniciativas no Brasil: a abordagem como modal de transporte público, a nossa frota e a adoção do modelo de free floating”.

A Urbano oferece seus carros como uma nova opção de transporte público: a nova geração de jovens desacredita a posse e tem o transporte urbano e compartilhado como uma alternativa de deslocamento, muitos trocaram seus carros pelo ônibus ou pela bicicleta. Dessa forma, o carsharing da Urbano é mais uma opção para esses usuários. "Apesar do diferente mindset dessa geração, não é ela o único público da Urbano, mas sim qualquer pessoa que precise de uma mobilidade mais ágil e que acredite tenha parado para pensar nas vantagens do novo modal", destaca Moura.

Outro diferencial da Urbano é a frota de veículos oferecida por eles: os veículos são diferenciados e as opções variam entre veículos a combustão e veículos elétricos. A prática do free floating também pesa na prática: ao contrário das locadoras tradicionais de veículos, que limitam os locais de empréstimo e devolução do carro, a Urbano possibilita que os carros compartilhados sejam locados e deixados em qualquer ponto da cerca eletrônica estipulados por ele. Paulo Moura explica que isso só é possível porque eles trabalham com uma malha de carros conectados, com aplicação mobile, geofencing (conexão entre mapa e objeto) e outras inovações que a Internet das Coisas possibilitou.

O principal desafio do carsharing no Brasil é o mesmo que no resto do mundo, explica Moura. A legislação, a burocracia causada falta de apoio para a pesquisa e o desenvolvimento desses projetos aqui. Apesar disso, a perspectiva de crescimento é boa: “O mercado de carsharing no Brasil vai ter um grande crescimento nos próximos anos. Nossas projeções indicam um potencial para mais de 30.000 carros compartilhados no país. Considerando exemplos, como na Europa e Canadá, uma cidade com 1,5 milhão de habitantes comporta até 3.000 carros. E por solucionar o problema do trânsito e da poluição, esse tipo de modal tem o ambiente perfeito para se desenvolver por aqui. Somos líder nesse novo mercado e temos a projeção de ter 1.200 carros em São Paulo em menos de 3 anos”, acredita Moura.


  • Texto original de Karina Constancio e Ana Luiza Morette para a revista do Instituto Parar.