MULHERES

A Disney não fez mais do que a obrigação em escalar essa atriz como Mulan

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A chinesa Liu Yifei vai interpretar a heroína na versão live-action do filme

A Disney não fez mais do que a obrigação em escalar essa atriz como Mulan

Finalmente! Após uma longa espera, a Disney anunciou que a atriz chinesa Liu Yifei, também conhecida como Crystal Liu, vai interpretar a personagem no filme live-action de Mulan, que será dirigido por Niki Caro.

A Disney não fez mais do que a obrigação em escalar essa atriz como Mulan

Foto: Reprodução/ Divulgação

Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, os produtores visitaram cinco continentes e avaliaram quase mil candidatas para o papel até encontrá-la. Eles estavam em busca de alguém com conhecimento de artes marciais e que soubesse falar inglês.

Inspirado na animação do estúdio de 1998 de mesmo nome, o longa conta a história de Hua Mulan, uma jovem que se disfarça de homem para salvar seu pai que deveria lutar na guerra. Ela então se torna a grande heroína da China, provando que o gênero não tem influência nas habilidades ou na capacidade. 

A produção não é criação dos estúdios Disney, e é inspirada numa poesia lendária chamada “A Balada de Mulan”, escrita no século VII, durante Dinastia Tang (618-907 d.C), na qual uma menina se alista ao exército para honrar sua família e provar lealdade ao seu líder. 

A Disney não fez mais do que a obrigação em escalar essa atriz como Mulan

A ideia do live-action surgiu na toada de remakes, como “Mogli” e “Bela e a Fera”, ambos sucessos de bilheteria que arrecadaram mais de 1 bilhão de dólares mundialmente. Mogli, inclusive, foi uma surpresa boa aos executivos, já que superou qualquer projeção e arrecadou mais de 100 milhões de dólares apenas no primeiro final de semana.

Mas a notícia da escalação de uma atriz chinesa foi recebida mesmo é com suspiros de alívio e alegria para fãs e interessados, considerando que a expectativa à época do anúncio do filme era que a personagem fosse interpretada por uma atriz norte-americana branca. 

Não fizeram mais do que a obrigação. 

E a falta de representatividade não seria exclusividade desse filme em particular. A própria Disney sofreu críticas duras e bem razoáveis sobre o remake de Aladdin, no qual a atriz Naomi Scott (Power Rangers), uma jovem britânica e indiana, foi escolhida para a protagonista. O conto de Aladdin, embora seja num lugar ficcional, remete ao Oriente Médio, tanto geograficamente, quanto culturalmente, portanto, não faz sentido que uma mulher com heranças da parte sul da Ásia seja a atriz principal. O mesmo se aplicaria em "Mulan" caso os receios se confirmassem. 

Outro ponto interessante da escolha é que a atriz, 30 anos, é mais velha que a personagem original. Assim, devemos ter uma abordagem mais madura da história, e, no caso de um interesse romântico, não seria um homem mais velho se apaixonando por uma adolescente - fato complicador por milhões de questões óbvias. 

No mais, sendo realistas, devemos admitir que uma estrela chinesa de sucesso ajuda o estúdio a atingir audiências em outras escalas. Por exemplo, "Rogue One", que escalou atores como Donnie Yen e Jiang Wen, arrasou nas bilheterias, inclusive entre chineses. 

Seria incrível que fosse um sucesso esse longa também pelo cunho feminista e representativo da obra, que quebra esteriótipos importantes, desde os tempos antes da incrível "Moana". Mulan enfrentou o conservadorismo de uma dinastia, os padrões de beleza relacionados ao costume do seu país e provou que gênero não está ligado ao potencial ou talento, sendo uma herói da guerra. 

A trilha deve ganhar destaque. Olha só essa maravilha:

Em relação ao resto do elenco, esperamos que o estúdio mantenha o bom senso. Em todo caso, aguardamos ansiosamente a estreia! Lauren Hynek e Elizabeth Martin assinam o roteiro junto a Niki. Chris Bender e J.C. Spink são os produtores. 

O filme tem estreia prevista para 2019.