MÚSICA

Pink e outras artistas rebatem comentário de presidente do Grammy sobre mulheres

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Neil Portnow sugeriu que as mulheres precisavam se impor mais pra conquistar o prêmio e causou repercussão negativa entre artistas

Pink e outras artistas rebatem comentário de presidente do Grammy sobre mulheres

No último domingo, o Grammy 2018 se destacou positivamente por mais uma campanha contra assédio sexual, Bruno Mars vencendo todos os prêmios praticamente e as performances lindas de Lady Gaga e Elton John com Miley Cyrus, entre outras. Contudo, apesar desses momentos incríveis, uma coisa foi difícil não notar: a quase total ausência de mulheres vencedoras nas categorias.

Com esse cenário, os espectadores se manifestaram - com razão! - nas redes sociais através da hastag “#GrammysSoMale”, ou “Grammy tão masculino”, em tradução livre. Um fenômeno, aliás, um pouco parecido com o “OscarsSoWhite”, de 2016.

A revista americana Variety então decidiu questionar Neil Portnow, presidente do Grammy, sobre o assunto. Qual não foi a surpresa geral da nação quando ele basicamente afirmou que as mulheres precisavam “se impor” mais para conquistarem o troféu. Em trecho, ele diz:

“Eu acho que tem que começar com mulheres que tenham a criatividade em suas almas e corações, que querem ser musicistas, que querem ser engenheiras, produtoras e querem fazer parte da indústria no nível executivo. Elas precisam se impor porque acho que elas seriam bem-vindas. Não tenho uma experiência pessoal com todos os muros que elas lidam, mas acredito que é nossa responsabilidade – como indústria – acolher”.

Foi quase um “é porque não teve talentos, mas eu quero apoiar as mulheres”. Um tiro que saiu pela culatra, obviamente. Agora, diversas artistas estão se manifestando sobre o tema.

Em post do Twitter, Pink escreveu: “As mulheres não precisam ‘se movimentar’ – elas estão se movimentando desde o começo dos tempos. As mulheres ganharam a música neste ano”.

Katy Perry não deixou barato e disse respondendo à carta de Pink: “Outra mulher poderosa dando o exemplo. Todos nós temos a responsabilidade de apontar a falta absurda de igualdade em todos os lugares. Estou orgulhosa de todas as mulheres criando arte diante da resistência contínua".

Elas têm razão. Apenas para exemplificar a dimensão da questão esse ano (e não necessariamente pra dizer que elas mereciam mais ou menos do que os outros indicados): na principal categoria, a de “Melhor Álbum”, Lorde era a única mulher e perdeu. Em “Gravação do Ano”, não houve nenhuma mulher indicada. E em “Melhor Performance Solo”, o único homem da categoria, Ed Sheeran, foi quem levou o prêmio, desbancando Kelly Clarkson, Kesha, Lady Gaga e Pink. Em resumo, dos 84 troféus distribuídos neste ano, apenas onze foram para cantoras.

Sem contar que esse é um problema histórico. Em estudo recente da University of Southern California, a tese de que os ganhadores são sempre de maioria masculina foi comprovada; de todos os ganhadores entre 2013 e 2018, 90,7% foram homens. Detalhe: nenhuma mulher levou prêmio de produtor do ano nesse tempo.

Tá bom ou quer mais? Ou vão nos dizer que desde 2013 não teve uma mulher que mereceu?