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Como a decisão de Trump de deixar o acordo nuclear com Irã afeta sua vida no Brasil

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Ação deve gerar alta do petróleo e do dólar, que tem efeito direto no seu bolso

Boris Baldinger, via Fotos Públicas
Boris Baldinger, via Fotos Públicas

De uma coisa, ninguém pode se queixar de Donald Trump: o presidente dos Estados Unidos é de verdade coerente. A maior virtude dele é cumprir suas promessas de campanha, mas é também isso que está mexendo com o mundo – e não de um jeito positivo.

Hoje Trump cumpriu o que falou mais uma vez. O ferrenho crítico do acordo nuclear com o Irã retirou nesta terça-feira, 8 de maio, os Estados Unidos do tratado. Diz ele que é pela falta de efetividade do pacto.

Mas tá mais com cara de birra mesmo, uma vez que o país entrou com a assinatura do antecessor Barack Obama. Sob a caneta do ex-presidente, os Estados Unidos foram um do páis que toparam retirar sanções contra o Irã em troca de uma drástica redução nas atividades nucelares daquele país (o que várias agências internacionais atestam que ocorreu).

Grandes líderes mundiais tentaram tirar essa ideia da cabeça de Trump, temendo instabilidade na região. Não teve jeito e o presidente americano anunciou a saída do tratado. Disse também que o país vai reestabelecer as sanções ao Irã.

Como o acordo ainda tem grandes signatários (China, Rússia, Reino Unido, Alemanha e França) que tentaram defender a manutenção, tudo indica que o Irã não vai tomar nenhuma ação repentina em represália à decisão preocupante dos Estados Unidos. Mas só a mínima possibilidade já é suficiente para mexer com a economia e política internacional.

Mexe até com o nosso bolso, aqui no Brasil.

Para começar, o Irã é um importantíssimo produtor de petróleo. Ter o país imerso nessa instabilidade tende a jogar os preços do produto lá para cima. E sabe o que acontece? Existe uma tendência de a alta chegar aqui.

A nossa Petrobras vem promovendo ajustes constantes nos preços dos combustíveis. Quase sempre, seja para cima ou para baixo, a justificativa da estatal brasileira passa por um pareamento com os preços no mercado internacional. Conclusão: petróleo sobe no mundo, gasolina sobe no posto da esquina de sua rua.

Além do impacto direto no dia a dia, já que combustível é base para transporte individual e coletivo, também tem o efeito na inflação, que pode subir com as constantes altas.

O segundo efeito vem do dólar. Num momento como esse, investidores internacionais aplicam em lugares que consideram mais seguros. Infelizmente, o Brasil não é o porto de águas mais tranquilas para eles.

Com esse medo, a tendência é que eles retirem dinheiro do país e apliquem em outras opções. A lei da oferta e demanda é implacável e o dólar (adivinhe...) sobe. Dólar alto também tem impacto direto na inflação.

Tudo isso por conta de uma decisão daquele que vocês já conhecem...