DINHEIRO

Como o dólar a quase R$ 4 afeta a vida até de quem não vai viajar

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Não amigo, você não precisa arredar o pé do Brasil para sentir a dor no bolso...

Pixabay
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O céu não é o limite para o dólar. Mas quem deu uma olhadinha na cotação da moeda americana recentemente, sabe que ela está quase lá! O dólar, que parecia ter recuperado um nível chamado de “saudável” por muitos analistas, voltou a subir forte recentemente. Passou os R$ 3,90 e está quase lá, nos R$ 4.

Já o dólar turismo, que como o nome diz, turistas compram nas casas de câmbio, está batendo nos R$ 5. É de deixar de cabelo em pé os brasileiros que estão pensando em passar férias além das fronteiras do país.

Mas a questão é que quem não pensa em dar um passeio tão distante nos próximos tempos também pode sentir os efeitos do câmbio em seu dia a dia, sem sair do Brasil. ATÉ SEU PÃOZINHO PODE FICAR MAIS CARO, SOCORRO!

Não entendeu nada? Veja como:

Combustíveis

Você tem ouvido falar muito da Petrobras ultimamente, não é mesmo? A greve dos caminhoneiros patrocinou essa alegria para você. Pois é. Nossa estatal do petróleo tem uma política de reajuste de preços bem dinâmica, como ficou claro. Pode mudar as taxas praticadas dia para a noite, seja para mais ou para menos (ainda que isto esteja em questão agora).

Vários fatores entram na conta da Petrobras quando ela vai anunciar estas mudanças nos preços da gasolina e do etanol. Um dos principais, é o tal do “mercado externo”. Isso significa basicamente que a empresa olha os preços lá fora e tenta deixar tudo mais ou menos no mesmo patamar. Se os preços internacionais são em dólar e o dólar está caro, você já sabe: a gasolina tende a subir.

E se você, como eu, não usa carro no dia a dia, vale lembrar que ônibus, taxi e carros dos aplicativos de mobilidade também usam combustível. Uma alta persistente dos preços pode influenciar no valor disso tudo.

Seu churrasco em risco

Pode temer: seu churrasco pode ficar muito mais caro com o dólar nas alturas. O Brasil compra muito trigo de outros países, pagando em dólar, e o produto é usado em ração animal. Se a comida dos bichos aumenta o preço, a carne também vai subir.

Vegetarianos não estão livres de sentir os custos no estomago. Afinal, o pãozinho com vinagrete do churrasco também depende de trigo para existir. Corram para as montanhas!

Eletrônicos e outros importados

Produtos que vêm de fora do Brasil, claro, vão encarecer também. Nos eletrônicos é onde melhor conseguimos ver esses efeitos.

Como os outros produtos encarecem, no longo prazo fabricantes brasileiros podem ver que há espaço para aumentar os preços dos produtos fabricados também por aqui.

Conclusão: tudo pode encarecer!

Indústria

De um lado, o dólar alto pode ser muito bom para um tipo de empresa, as exportadoras. Pense bem: se uma fábrica vende seu produto para fora, recebe em dólar e investe no Brasil, com a moeda americana lá nas alturas, o caixa em reais vai ficar mais cheio.

Por outro, pode ser um problemão...

Muitos setores dependem ainda de matéria prima importada. É o caso de alguns produtores do setor de químicos, por exemplo. Se essas empresas pagam pelo material primário em dólar, vão gastar mais dinheiro. É torcer para a alta não se estender por muito tempo, limitando a grana dessas empresas que podem reduzir custos inclusive com pessoal (traduzindo: demissões).

Inflação

Aqui temos a cereja do bolo, senhoras e senhores. Essa é a consequência que une todos os efeitos ruins já mencionados acima. Se a comida, o transporte, o combustível e um monte de outas coisas podem ficar mais caras, tudo isso se reflete na alta do IPCA, principal índice brasileiro para medir a inflação.