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Contra leis homofóbicas, russos dançam Satisfaction e espalham ótimos vídeos

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Brincadeira de cadetes gerou onda de apoio e imagens divertidíssimas no YouTube. Teve até vovós entrando na dança... 

Contra leis homofóbicas, russos dançam Satisfaction e espalham ótimos vídeos

(Imagem: Unsplash)

Dançar é muito bom. Deixa as pessoas alegres, gasta energia, ocupa a mente e diverte. Mas se você mora na Rússia, também gera debate político.

É o que diriam os cadetes que decidiram gravar um vídeo ótimo, rebolando muito ao som de Satisfaction, de Benny Benassi. Eles resolveram se divertir um pouco ao som de um hit pop, como muitos outros grupos militares já fizeram. Lembram-se quando soldados americanos fizeram um clipe produzidíssimo de Call Me Maybe, de deixar até a dona da música, Carly Rae Jepsen, babando?

Acontece que, ao contrário dos Estados Unidos, homem rebolando em território russo pode ser considerado delito. Embora ser gay não seja crime na prática, o país tem políticas duríssimas contra homossexuais. Uma delas criminaliza desde 2013 o que chama de “propaganda gay”, que é basicamente qualquer demonstração pública de uma orientação sexual diferente da heterossexualidade. O vídeo dos cadetes foi encarado assim.

A agência federal russa que regula as leis da aviação não gostou nada. Criticou a brincadeira, disse que vai abrir uma investigação e ainda ameaçou os alunos de expulsão, segundo reportagem da BBC.

Mas sabe como é: assim como no Brasil, o melhor da Rússia é o russo...

Muita gente achou a reação das autoridades exagerada e resolveu apoiar o grupo fazendo seus próprios vídeos de dança. Resultado: não demorou muito para o “Satisfaction Challenge” (Desafio Satisfaction) se espalhar pelo YouTube em vídeos virais ótimos.

Mas nada supera as duas vovós russas que, sensualizando na cozinha, também apoiaram a turma. Dá-lhe babushkas!

Perto de sediar a Copa do Mundo, a Rússia volta a chamar atenção para esse assunto que nunca saiu totalmente de pauta. Num país acostumado a receber turistas do mundo inteiro, as diferenças não são nem um pouco bem recebidas.

Preocupadas com o que o choque cultural poderá causar durante o mundial, associações esportivas e de direitos LGBTs do mundo todo têm promovido ações para informar os visitantes sobre como a Rússia trata essas questões.

Um exemplo vem da Fare (Football Against Racism in Europe), instituição europeia contra o racismo no futebol, que já disse que vai lançar um guia para os turistas sobre o que pode ou não ser encarado por autoridades policiais como "propaganda gay". Pasmem: são coisas do tipo segurar as mãos de uma pessoa do mesmo sexo nas ruas, como mostra o The Guardian.

Num país onde as leis dão mais apoio para a homofobia do que para a liberdade, o resultado é, literalmente, fatal. Num dado divulgado em novembro de 2017, pesquisadores disseram que a lei contra “propaganda gay” foi o que fez com que os assassinatos de LGBTs na Rússia quase dobrassem em quase cinco anos, como mostra a agência de notícias Reuters.

Diante das discussões que chegam ao Brasil sobre leis que abrem precedentes para a homofobia legalizada, que os dados russos (e os ótimos vídeos de Satisfaction) sirvam de alerta.

#YouTube #Russia #LGBT