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A Europa não é inocente quando se trata de guerra na Síria

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Foco no presidente norte-americano Donald Trump desvia olhares dos aliados europeus

A Europa não é inocente quando se trata de guerra na Síria
Equipes da defesa cívil da província Síria de Idlib atuam após ataque em Imagem: Civil Defense Idlib, via Fotos Públicas

A Síria sofreu com mais um bombardeio ocidental no último 13 de abril. Estados Unidos, França e Reino Unido lançaram suas munições contra alvos do governo de Bashar Al-Assad no país.

Marqueteiro como sempre, o presidente Donald Trump comentou o assunto no Twitter desde antes da ação. Suas falas, quase sempre raivosas, fazem parecer que a Síria é apenas alvo de uma guerra entre Estados Unidos e Rússia (que, por sua vez, apoia Bashar Al-Assad).

No tuíte acima, por exemplo, lê-se:

“A Rússia promete abater todo e qualquer míssil disparado contra a Síria. Prepare-se, Rússia, porque eles virão, bons, novos e "inteligentes"! Você não deveria ser parceira de um animal que usa gás para matar seu povo!”

Com essa voracidade vindo das redes, não é de se estranhar que o foco fique na disputa que mais parece pessoal entre Trump e sua contraparte russa Vladimir Putin.

Acontece que o americano não está sozinho. Talvez você tenha batido o olho lá em cima do texto e lido sobre os aliados na nova ofensiva contra a Síria: França e Reino Unido.

Do lado francês, o presidente Emmanuel Macron, que logo completa um ano de governo, deu uma entrevista para fazer um balanço dos primeiros meses e falar de temas diversos. Nela, comentou a questão Síria.

Disse que foi ele quem convenceu o presidente Donald Trump a não retirar tropas da Síria e se comprometer com uma ação de longo prazo. Porém, uma ação assim precisa de planejamento, inteligência e ação cuidadosamente planejada. Não de bombardeios que colocam ainda mais risco na vida dos cidadãos sírios e lenha na fogueira da guerra.

No Twitter, pelo menos, é mais lúcido que Trump:

“Me reuni nesta tarde com ONGs que trabalham na Síria. Diante da situação humanitária no país, a França está a criando um programa de emergência de 50 milhões de euros”, escreveu sem dar detalhes.

No Reino Unido, o apoio ao ataque causou uma situação bastante constrangedora internamente. A primeira-ministra, Theresa May, quebrou a tradição e contrariou o parlamento inglês ao apoiar o ataque.

Conclusão: precisou explicar sua decisão na casa. "Não fizemos isso porque o presidente Trump nos pediu, nós fizemos isso porque acreditamos que era a coisa certa a se fazer, e não estamos sozinhos. Há amplo apoio internacional para a ação que fizemos", disse.

Daqui em diante, o clima deve esquentar com a nova ofensiva. E não só no Twitter de Donald Trump.