POLÍTICA

Acabar com o Bolsa Família é o único erro que o próximo governo não pode cometer

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Novo ministro do Desenvolvimento Social promete reajuste até maio (e essa é uma ótima notícia)

Acabar com o Bolsa Família é o único erro que o próximo governo não pode cometer
Imagem: Pedro Revillion/Palácio Piratini, via Fotos Públicas

Logo que assumiu o Ministério do Desenvolvimento Social em 10 abril, Alberto Beltrame não perdeu tempo e falou sobre um dos projetos que pode entrar na lista dos mais polêmicos entre os sociais. Logo na cerimônia de posse, disse que o reajuste do Bolsa Família ainda não foi definido, mas que deve ser anunciado até maio.

Fez bem em começar assim.

O programa talvez seja a única unanimidade entre grandes partidos. Mesmo que alguns tenham dificuldade em assumir sua relevância, uma vez que está sujeito a críticas que o reduzem a assistencialismo barato.

Prova disso está na sua raiz. Embora tenha sido instituído pelo então presidente Lula (PT), o rascunho e a base vieram do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Aliás, talvez um dos segredos do sucesso do programa seja justamente a continuidade entre governos.

A vontade de manter o programa parece seguir com (P)MDB, dada a pressa do novo ministro de Michel Temer em comentar o próximo aumento. Talvez por uma razão eleitoreira, é verdade. Mas pelo menos, a continuidade há.

E é justamente isso que o próximo governo, seja ele qual for, deve fazer: continuar valorizando o Bolsa Família. Acabar com o programa é o grande erro que partido nenhum que chegue ao poder pode cometer.

Embora não remunere famílias com um valor que pareça relevante para as classes média e alta, garante o mínimo para criar uma base complementar aos baixíssimos salários praticados no país. Mais relevante que isso: garante ao beneficiário liberdade para aplicar como for melhor para cada família, seja na saúde, educação ou no pacote de comida que as classes mais altas compram sem se quer decorar o preço.

Como diz a própria OCDE, o programa é o meio mais eficiente para tornar o crescimento econômico no país mais igualitário. Tanto que a respeitada organização internacional sugere um aumento relevante nos recursos destinados ao programa.

O brasileiro, que adora copiar exemplos de países ricos, precisa entender que o que acontece por aqui não é generosidade gratuita nem assistencialismo. Vide a Finlândia, que testa um programa de Renda Básica Universal (RBU) pelo qual remunera todo cidadão desempregado entre 25 e 58 anos com um salário para cobrir despesas básicas. Assim, essa pessoa tem a chance de estudar, desenvolver-se e entrar melhor preparada no mercado de trabalho. Ou apenas sobreviver, se for o caso.

Não precisamos chegar nesse ponto. Mas precisamos reconhecer que o Bolsa Família é o mínimo que a classe média precisa aceitar que funciona por aqui.