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Estraga folia: impostos de artigos de Carnaval podem passar de 40%

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Está sentindo um peso a mais na pochete de glitter? Pesquisa mostra que devem ser os tributos....

Estraga folia: impostos de artigos de Carnaval podem passar de 40%

Comércio popular do Rio de Janeiro durante período do Carnaval - Rogério Santana/ GERJ, via Agência Fotos Públicas

No Brasil, kit folia inclui: fantasia, serpentina, cervejinha e....impostos. Pois é. Nem no Carnaval os brasileiros escapam da alta carga tributária. E uma pesquisa mostrou exatamente o quão pesada ela é durante a folia.

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), feito a pedido da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), apontou que os principais itens que desfilamos entre marchinhas, samba e frevo podem ter mais de 40% de seu valor correspondente a impostos.

No quesito adereços e acessórios, os campeões de carga tributária são o colar havaiano (45,96% do valor total), spray de espuma (45,94%), máscara de plástico (43,93%), confete e serpentina (43,83%) e máscara de lantejoulas (42,71%).

Mas o maior peso de todos dá ressaca no corpo e no bolso. As bebidas alcoólicas típicas da época têm um percentual de imposto altíssimo em relação aos seus preços totais. Vide caipirinha (76,66%), chope (62,20%), cerveja (55,60%), refrigerante em garrafa (46,47%) e em lata (44,55%).

A única boa notícia é que a camisinha é o item carnavalesco, digamos assim, que menos pesa no bolso, com cerca de 18,75% de seu preço composto por impostos. Bem menor que fantasias e adereços, mas ainda bastante alto se pensarmos que é um item de saúde pública.

O Carnaval não é a única ocasião em que os impostos afetam a vida dos brasileiros. Um outro exemplo vem do mesmo instituto, que divulgou no ano passado que a carga tributária de alguns itens de tecnologia é tão alta, que nem os espetaculares descontos da tradicional Black Friday (a sexta-feira de descontos anual do varejo) eram suficientes para anular as taxas.

Além de pesquisas pontuais como a encomendada ao IBPT, a ACSP também mede os impostos pagos pelos brasileiros em tempo real, com uma ferramenta chamada Impostômetro. No ano passado, por exemplo, o total de tributos pagos no país chegou a R$ 1 trilhão na manhã do dia 16 de junho, uma sexta-feira. Naquela ocasião, a associação já fazia o alerta do aumento da arrecadação, uma vez que em 2016, esse valor só foi alcançado em 5 de julho, quase um mês depois. E caminhamos para algo parecido em 2018: até as 14h do dia 9 de fevereiro, o Impostômetro já marcava R$ 295 bilhões pagos no ano.

A carga tributária não é pesada só para o consumidor. Entra governo, sai governo, o empresariado do Brasil se une é nesse momento, de pedir redução de impostos. Com taxas sendo repassadas para consumidores, dizem, o tema emperra o desempenho da indústria no país.

Se até as polêmicas reformas da previdência e trabalhista já foram colocadas na mesa, será que veremos uma tributária em breve?

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