ECONOMIA

Os apps declaram guerra aos bancos no Brasil (e nosso bolso agradece)

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Novas opções de contas correntes digitais e cartões de crédito sem anuidade chegam ao mercado sem taxa ou com valores muito baixos

Os apps declaram guerra aos bancos no Brasil (e nosso bolso agradece)

Fintech. Você já ouviu alguma vez essa palavrinha? Talvez o termo não seja conhecido, mas as fintechs estão revolucionando a maneira como as pessoas lidam com dinheiro e, em algum momento, entrarão na sua vida.

A palavra é uma espécie de apelido para "financial technology", algo como "tecnologia financeira", em inglês, e é o nome dado a uma startup (empresa em estágio bem inicial) que usa tecnologia para oferecer serviços financeiros. Já difundida nos Estados Unidos e uma outra dúzia de países, a ideia ganha cada vez mais força no Brasil.

São bancos online e cartões de crédito que cobram taxas muito baixas ou não cobram taxa nenhuma. Talvez você já tenho escutado algo sobre o cartão Nubank ou o Banco Neon, por exemplo.

Agora pense: você é um banco tipo Itaú ou Bradesco. Lucra bilhões de reais por anos. Baseia parte desse lucro nas taxas que cobra tanto em mensalidades quanto em transações. De repente, umas empresas oferecem o mesmo serviço que você, de graça (ou quase) e prometem que tudo será resolvido por um aplicativo no smartphone, sem agências. O alerta vermelho apita, não é mesmo?

Tanto é verdade que a força que as fintechs tomam já fizeram com que os bancos entrassem nessa onda. O Banco do Brasil e o Bradesco são juntos donos do Diggio, o cartão de crédito sem anuidades que compete diretamente com o Nubank. Já o Bradesco lançou sozinho o banco online Next, mas esse sim tem mensalidades que variam de R$ 9,95 a R$ 30 por mês, dependendo da cesta de serviços escolhida. A diferença para o Bradesco tradicional é a ausência de agências.

Mas voltando para as opções que não têm bancos como acionistas, o aumento das possibilidades é só motivo para comemorar. Resolver tudo do celular já seria razão suficiente para mudar, mas uma conta simples pode ajudar a tomar a decisão: multiplique a mensalidade do seu banco por 12 para descobrir o custo anual. Chore um pouco com o valor final e assim que recuperar o fôlego, considere abrir uma conta online.

Só alegria?

Dá para dizer que os apps financeiros são 99% alegria, mas ainda tem aquele 1%...

As principais vantagens são, sem dúvida, a economia com taxas e a possibilidade de resolver problemas cabeludos até de dentro do ônibus com seu smartphone.

Mas para quem usa serviços mais complexos dos bancos, é preciso pesquisar as possibilidades específicas de cada fintech. Algumas funções ainda não estão disponíveis por essas empresas. Se você usa serviços de envio e recebimento de valores do exterior, por exemplo, as possibilidades são limitadas. As opções de investimento também são restritas nos apps mais simples.

Ainda assim, vale buscar saídas personalizadas para esses casos, como corretoras de valores para investir fora dos bancos e ficar com as fintechs nos serviços do dia a dia.

Conheça algumas opções

Nubank

O cartão foi o primeiro a deixar todo mundo espantado com a ideia de ter um Mastercard internacional em mãos sem anuidade e sem complicações. Para pedir o cartão, os usuários precisam de um convite e a fila logo ficou longa (situação que melhorou bastante já).

Algumas coisas deixavam a galera meio frustrada. Exemplo: não tinha um programa de fidelidade. Agora tem. O Nubank Rewards custa ou R$ 19 por mês (R$ 228 por ano) ou R$ 190 por ano numa cota única. Cada ponto vale exatamente R$ 1 e a melhor parte: nunca expiram. Quer dizer: se você cancelar o programa, perde os pontos todos, mesmo que volte em algum momento. Mas enquanto mantiver, terá seus pontos lá.

Funciona assim: em vez de comprar algo com pontos, você os usa para apagar as compras feitas e elegíveis da fatura (bem mais fácil). Atualmente, vale para Netflix, Uber, serviços de streaming de música, Amazon e qualquer transação em hotéis e companhias aéreas.

Na hora de apagar, porém, a cotação não é de R$ 1 para 1 ponto. Você precisa multiplicar o valor por cem. Por exemplo: eu, que sou cliente, tenho uma hospedagem de oito dias num albergue que me custou R$ 275,54. Para apagar, precisaria de 27.554 pontos. Vale a pena só no longo prazo.

Os apps declaram guerra aos bancos no Brasil (e nosso bolso agradece)

Porém, existem as recompensas rápidas, com “preços” fixos, como mostra a próxima imagem:

Os apps declaram guerra aos bancos no Brasil (e nosso bolso agradece)

Agora o Nubank lançou uma conta corrente e está liberando aos poucos a opção de adesão aos já usuários do cartão. Sem taxas, mas ainda com algumas possibilidades limitadas, a principal vantagem é que a conta corrente tem rendimento automático, assim que você coloca o dinheiro lá. O Nubank usa esses fundos para aplicar no Tesouro Direto, conseguindo uma graninha um pouco mais alta que na poupança, e não coloca prazo para retirada.

Trigg Brasil

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A função cartão de crédito é bem parecida com a do Nubank: rápido, fácil e baseado em um aplicativo solucionado de problemas. A desvantagem: tem anuidade. Os três primeiros meses são gratuitos e, depois, o cliente paga R$ 118 por ano em 12 vezes.

Esse valor funciona como um programa de fidelidade diferente. Explico: em vez de acumular pontos, os clientes do Trigg têm disponível a função “cashback”. Literalmente: dinheiro de volta. Em até 72 horas da compra feita, o cartão mostra no aplicativo 1% do valor disponível para resgate.

Dependendo do seu gasto mensal, dá para pagar a anuidade e sobra. Segundo o simulador da empresa, uma pessoa que gasta R$ 3.000 por mês teria R$ 30 mensais de volta, um total de R$ 360 por ano. Descontando a mensalidade, esse cliente teria de volta R$ 242 líquidos de volta todo ano.

Vale a pena calcular com seus gastos.

Banco Neon

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Esse foi o primeiro a oferecer serviços similares ao de uma conta corrente. Além de cartão de crédito, os clientes têm disponível transferências, saques e depósitos.

Não tem mensalidade e muitos dos serviços são gratuitos. O banco online (isso aí, sem agências) ganha dinheiro cobrando taxas para algumas funções. Taxas essas, vale ressaltar, mais baixas que de bancos tradicionais.

Quer um exemplo? A transferência para contas de outros bancos custa R$ 3,50 por mês e só a partir da segunda, já que a primeira é gratuita.

E ai? Partiu fintech?