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O que há por trás da União entre Coreias nos Jogos de Inverno

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O que há por trás da União entre Coreias nos Jogos de Inverno

Equipes dos dois países desfilam com bandeira unificada nos Jogos de Turin, em 2006 (foto: AP Photo/A. Sancetta) 

É em meio a uma imprevisível corrida nuclear que a Coreia do Norte retoma as conversas com a irmã do sul, a um mês do início dos Jogos Olímpicos de inverno. Na quarta-feira (17), por meio de agências sul-coreanas, entre elas a Yonhap, foi anunciado que as duas vizinhas asiáticas serão representadas por um time unificado na modalidade de hóquei no gelo feminino.

Com data marcada para 09 de fevereiro, o maior evento de esportes de inverno acontece em Pyeongchang, Coreia do Sul, marcando um mês de competições e dando um novo capítulo à irresolvível situação diplomática entre o país comandado por Kim Jong-un e o resto do mundo.

Após dois anos de silêncio entre Seul e Pyongyang, a inesperada decisão de unir atletas em uma mesma equipe, fazendo um desfile conjunto entre os países que pretendem marchar sobre uma bandeira unificada, despertou curiosidade por parte da imprensa internacional. O fôlego pró-unificação, antes improvável, surge em meio ao pleno afogamento diplomático que o país do norte vive diante da cúpula internacional – e há de se entender as motivações.

Sobre o gelo fino

Ainda que o surgimento de uma rara oportunidade bilateral entre os países seja animador, catalisado pela esportividade das competições, autoridades internacionais alertam para o contexto de guarda baixa. A rodada de conversas entre os dois países aconteceu em Panmunjom, área desmilitarizada (DMZ) que marca a fronteira entre os territórios e que, há cerca de um mês, testemunhou a deserção de um soldado norte-coreano para o território rival.

Em meio aos tiros, o militar correu até ser resgatado por homens para além da fronteira e reacendeu o debate sobre o cerceamento militar feito pelo governo de Kim. Com a fuga do soldado, especulou-se que os países estavam mais uma vez rompendo com o armistício firmado em 1953, que deu fim à Guerra da Coreia. Desde o acordo feito há 65 anos, mais de 30 mil desertores cruzaram as fronteiras, apontando para um conflito que se alonga apesar do cessar-fogo.

Além do tenso histórico entre coreanos do norte e do sul, o clima da opinião pública é temerário quando o poderio nuclear de Pyongyang entra em debate. Após um ano de conflitos virtuais e especulatórios entre Kim Jong-un e Donald Trump, paira a dúvida sobre a verdadeira natureza das ameaças bélicas trocadas, aos tuítes, entre os dois líderes.

Mesmo que sob a acusação de sensacionalismo, a imprensa internacional relata incessantes manobras norte-coreanas que reafirmam a intima relação entre sociedade e forca militar. Após homenagens ao exército nacional no Ano Novo, a Coreia do Norte marcou uma parada militar para 08 de fevereiro, data de nascimento de suas forças armadas e um dia antes do inicio dos Jogos de Pyeongchang.

Em reunião de lideranças em Vancouver, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Taro Kono, chamou de “encanto ofensivo” o que se repercute como um alento entre países da península coreana. Para ele, o avanço dos programas nucleares da Coreia do Norte não pode ser deixado de lado. A atmosfera de incerteza segue.

Os jogos

A expectativa é de normalidade, mas as decisões recentes dão tempero à edição das Olimpíadas de Inverno em 2018. O anúncio de aproximação entre as delegações não agradou membros conservadores dos dois países e contou com uma declaração de preocupação por parte do treinador sul-coreano da equipe de hóquei, de acordo com o portal da BBC Mundo. Segundo o comandante, a presença de atletas do norte pode comprometer o desempenho do time.

Para mais, também foi proposto por Pyongyang o envio de uma delegação composta por 550 integrantes, com 140 artistas, 30 lutadores de Taekwondo e 230 animadoras de torcida. Conhecidas como “brigadas de animadoras”, a equipe de cheerleaders já marcou presença em outros eventos que aconteceram na Coreia do Sul, como os Jogos Asiáticos de Busan (2002) e o Campeonato de Atletismo da Ásia em Incheon, em 2005.

A bandeira unificada, apontada como símbolo de reaproximação entre as Coreias, volta ao cenário esportivo após ser usada na edição dos Jogos de Inverno em Turin, Itália, há 12 anos. A menos de um mês da edição atual, permanecem as dúvidas sobre as verdadeiras intenções da incógnita norte-coreana, que segue sem expor os porquês de sua episódica politica internacional.