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Premiado, Selton Mello trabalha arte em novo longa

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Diretor é aclamado e aquece cinema nacional com um estilo que pouco se vê por aqui

Premiado, Selton Mello trabalha arte em novo longa

Drama sem muito apelo (Foto: Cinema com Rapadura)

Esculpindo com sensibilidade entre frames de cor sépia, Selton Mello se lançou à história de um Brasil nada ficcional em “O Filme da Minha Vida”, lançado e exibido no último semestre do ano. Com um roteiro sem grandes sustos, a obra resgata valores do imaginário interiorano do sul do país e seus desencontros com o sufoco da vida urbana, recheada de diálogos, closes e detalhes saborosos. O jeito inovador abriu os olhos da crítica.

Em discretos núcleos individuais, despejou-se a carga sentimental da trama para contar sonhos e frustrações, o que se definiu como o fio condutor da história. Da crítica ao patriarcado caipira à metáfora do acaso, elementos como o homem, a mulher, a criança, o adolescente, o casamento, a mentira e o amor parecem entrar em uma ciranda de fatos, dando uma leveza pouco comum aos trabalhos recentes do cinema brasileiro.

O trabalho rendeu frutos. Acompanhado da atriz Bruna Linzmeyer, que interpretou Luna na obra, o diretor desceu na Itália nesta segunda-feira (30) para receber o prestígio do 12º Festival de Roma, no Auditorium Parco Della Musica.

Oposto ao fervor europeu, onde foi consagrado, o longa é uma versão de realismo (nada) fantástico. Bucólico do começo ao fim, a história tem seus trejeitos de produções cult de vanguarda rapidamente remexidos ao sotaque marcante, à terra vermelha. Tudo isso ao som de Sérgio Reis.

A presença de duas gerações talentosas, com Johnny Massaro, vivendo o protagonista Tony e Rolando Boldrim, na pele do discreto – e importante – maquinista, é outra marca do trabalho de Selton Mello, que trouxe à produção caseira uma sutilidade que andava em falta.

Assista ao trailer do filme: