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47% dos eleitores querem Lula na eleição: a esquerda está num mato sem cachorro

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No curto prazo, isso é bom apenas para o petista. No longo prazo, porém, é péssimo para a esquerda e, sobretudo, para o país

47% dos eleitores querem Lula na eleição: a esquerda está num mato sem cachorro

Só dá ele: unir a esquerda não é mais mérito, mas demérito de Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

Uma pesquisa do Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (1º), mostra que 47% dos 2.826 entrevistados defendem que Luiz Inácio Lula da Silva concorra à eleição presidencial, apesar de sua condenação em segunda instância no caso do tríplex do Guarujá – o que o torna, oficialmente, um ficha suja e o impede de disputar. Para Lula, o resultado é uma maravilha, afinal, mostra que, apesar de toda a exposição negativa durante a Lava Jato, o ex-presidente ainda tem um apoio popular invejável. Mas, cada vez mais, o que é bom para Lula não é, necessariamente, bom para a esquerda. O resultado da pesquisa só reforça o óbvio: a esquerda ainda é refém de Lula, cuja sombra impede sua renovação e o desejável surgimento de novas e mais modernas lideranças.

Primeiro, é preciso entender de onde vêm esses 47% dos brasileiros. Infelizmente, a reportagem da Folha de S.Paulo dá poucas informações. Sabe-se do básico: 51% do Brasil defende que Lula seja impedido de concorrer; 47% o quer nas urnas; 2% não sabem. No Norte e Nordeste, o apoio ao petista atinge seus picos, com 53% e 71%, respectivamente. Em termos de renda, a defesa de Lula é mais forte entre os que ganham menos e vice-versa. Entre os que ganham mais de dez salários mínimos, por exemplo, 70% afirmam que o ex-presidente deveria ser impedido de disputar a eleição.

Refém do PT

O quadro fica mais claro, quando se cruzam os dados divulgados hoje com os da pesquisa de intenção de votos, publicada pela Folha ontem. No primeiro turno, Lula oscila entre 34% e 37% das intenções, conforme os cenários propostos. Já no segundo turno, o ex-metalúrgico fica entre 47% e 49%, de acordo com seu rival. Não é coincidência, portanto, que o Datafolha tenha descoberto que 47% dos brasileiros querem Lula na eleição. Trata-se do mesmo patamar de pessoas que o apoiariam no segundo turno do pleito, ou seja, o grupo formado pelos até 37% de eleitores que estarão com ele no primeiro turno, mais aqueles que passariam para seu lado na etapa final. Esses últimos teriam um voto mais “ideológico”. Na primeira rodada da disputa, escolheriam candidatos de esquerda mais “puros”, como os do PSOL e PCdoB, por exemplo. Por uma questão de alinhamento ideológico, migrariam para o petista no fim.

Acrescentem-se dois dados: a) 44% dos eleitores afirmam que Lula não deveria ser preso; b) 43% consideram injusta sua condenação em segunda instância. Tudo somado, as duas pesquisas indicam que o campo da esquerda conta, atualmente, com pouco menos da metade dos eleitores. É um patrimônio nada desprezível de votos, a despeito de todas as bobagens que Lula e sua pupila, Dilma Rousseff, fizeram para queimar o filme dos esquerdistas. O problema é que a convergência do eleitorado de esquerda para Lula apenas prova o quanto ela carece de novos líderes. No curto prazo, isso é bom apenas para o petista. No longo prazo, porém, é péssimo para a esquerda e, sobretudo, para o Brasil.