POLÍTICA

A agonia dos anti-Lula: achar outra razão para viver (e odiar)

Author

Balaio de gatos dos antipetistas se desmancha junto com o fim do seu inimigo supremo

Dúvida cruel: onde descarregar tanta energia reprimida agora? (Imagem: Hamlet/Reprodução)
Dúvida cruel: onde descarregar tanta energia reprimida agora? (Imagem: Hamlet/Reprodução)

Como bem sabe qualquer um que consiga pensar sem as muletas de memes de redes sociais e caricaturas de líderes berrando em carros de som, ser contra alguma coisa não significa, necessariamente, ser a favor de outra. Depois do impeachment de Dilma Rousseff e do foguetório pela prisão de Luiz Inácio Lula da Silva, os antipetistas e antilulistas descobriram essa amarga verdade: o balaio de gatos formado por “movimentos de rua”, “líderes populares”, “cidadãos de bem” e a “imprensa de bem” só se mantinha unido pela repulsa a Lula. Uma vez que o demônio do apocalipse foi derrotado e acorrentado, resta a angustiante tarefa de encontrar uma nova razão para viver (ou para odiar). Não é à toa que os candidatos “de direita” estão embolados e a imprensa “crítica” está procurando assunto.

No campo político, uma barafunda de políticos compôs a frente anti-Lula: do MDB do ex-vice-presidente e atual inquilino do Planalto, Michel Temer, virtual candidato a preso da Lava Jato, aos tucanos Aécio Neves (outro pulverizado pela força-tarefa de Curitiba) e Geraldo Alckmin (ameaçado pela delação premiada de Paulo Preto), à extrema-direita fanática por Jair Bolsonaro e dos defensores de uma nova ditadura militar (que chamam, sabe Deus por que, de “intervenção militar constitucional – bocejos... bocejos...).

Temer já conquistou o troféu de presidente mais impopular da Nova República. Já, também, sinalizou que não vai tentar a reeleição, diante de seu raquítico desempenho eleitoral. Logo, quem achava que Temer era um mal menor que Dilma já caiu do cavalo há tempos e deve ter apagado vários posts do Facebook, daquela época em que defendeu seu impeachment, dizendo que Temer era o homem certo para pacificar o país e promover as necessárias reformas econômicas que reconduziriam o país ao crescimento. Ah, sim... reformas engavetadas ou rejeitadas pela população... desemprego de quase 14 milhões de pessoas... e estimativa de crescimento do PIB sendo cortada semana após semana... geniais, esses “cidadãos de bem”!

Cadê os eleitores de Aécio?

Aécio Neves, que emergiu da eleição de 2014 como o tucano que chegou mais perto de encerrar o reinado petista, com seus mais de 51 milhões de votos (48% do total), caiu por conta própria, após ser flagrado pedindo R$ 2 milhões para Joesley Batista, um dos donos da JBS. Foi um vexame para os antilulistas que, por ignorância (no sentido de burrice, mesmo) ou má-fé, diziam que Aécio assumiria, caso Dilma caísse. Cadê os 51 milhões de camisas verde-amarelas que votaram no senador mineiro? Devem ter embarcado para Marte. Ou isso, ou 51 milhões de brasileiros estão tão envergonhados, que sequer ousam confessar o papel de trouxa que fizeram.

Bom, acontece. Votei em Lula e tomei na testa. Serviu de aprendizado contra messianismos em geral. Mas, no caso dos tucanos, há, em tese, um plano B para este ano: o candidato do PSDB será Alckmin. Sim, aquele que patina abaixo de 10% de intenção de votos, e não deve estar empolgando nem os vizinhos de sua Pindamonhangaba natal. Mais uma prova que ser contra Lula não é ser a favor de nada em especial...

Chegamos, então, à parte mais pantanosa do antipetismo: sim, Jair Bolsonaro, o herói involuntário de uma guerra que não liderou. Tão oco, quanto o Pixuleco inflado nos protestos anti-Lula. Tanto que, com toda a prosa, tanta militância e tantos robôs, trolls, haters e fake news a seu favor emporcalhando as redes sociais, empacou nos 20% de intenções de voto. Sinal de que, para muitos, ser contra o PT não significa ser um louco suicida...