POLíTICA

A degradação do MBL diz muito sobre os “cidadãos de bem”

Author

Ao compartilharem os memes mentirosos do MBL, “cidadãos de bem” mostram quanto mal podem fazer ao país

A degradação do MBL diz muito sobre os “cidadãos de bem”

Quando surgiu, em 2014, o Movimento Brasil Livre (MBL) foi saudado por quem veste verde-amarelo (e muitos colunistas da imprensa) como uma das grandes novidades do cenário político. Afinal, contra o envelhecimento dos políticos e sua corrupção generalizada, um bando de moleques ousados desafiavam a então presidente Dilma Rousseff e pediam publicamente seu impeachment. Foi uma questão de tempo para que Kim Kataguiri, Fernando Holiday e seus companheiros tornarem-se celebridades. Seu poder de mobilização inspirava tanto respeito, quanto temor dos partidos. Os “cidadãos de bem” viram ali o início da renovação das lideranças... quanta ingenuidade!

Passados quatro anos, a degradação do MBL é um reflexo da própria deterioração das bandeiras dos “cidadãos de bem”. Há tempos, já estava claro quanto Kataguiri e sua trupe eram inconsistentes e venais, aliando-se a alguns dos políticos mais duvidosos do país. Basta ver a felicidade com que posaram ao lado do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ao participar da entrega do pedido de impeachment de Dilma. Na época, Cunha já era investigado pelos negócios escusos que fazia com o dinheiro público, mas quem disse que o MBL se importou?

Depois, em 2016, Holiday elegeu-se vereador em São Paulo. Até aí, faz parte do jogo democrático aproveitar a fama para galgar postos políticos. O impressionante é que Holiday não procurou um partido oxigenado e imune à corrupção. Preferiu ir direto para o DEM, conhecido por seu fisiologismo e cujo presidente, o senador José Agripino, foi afastado a contragosto do cargo, devido às investigações de que é objeto pela Lava Jato. O mesmo DEM, aliás, pelo qual Kataguiri deve concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.

Goebbels teria orgulho

Nos últimos dias, porém, o MBL chamou a atenção da mídia, ao espalhar notícias falsas envolvendo a morte da vereadora Marielle Franco, do PSOL do Rio. O movimento foi uma das fontes de memes mentirosos sobre supostas relações da política com o narcotráfico, por exemplo. Segundo reportagem da Veja desta semana, o episódio não foi, nem de longe, uma escorregada de principiantes. O MBL, conforme a revista, tornou-se uma usina de mentiras e fake news a serviço de quem lhe retribuir melhor. Seu queridinho da vez é o empresário Flávio Rocha, dono da rede de varejo Riachuelo e ultraliberal. Rocha, como se sabe, busca um partido pelo qual possa disputar a presidência.

O apodrecimento do MBL (se é que, um dia, já foi asséptico) mostra como os “cidadãos de bem” são, no mínimo, ingênuos em eleger lideranças. Ao compartilharem seus memes mentirosos, ao apoiarem campanhas de difamação contra vereadores executados por defender os desfavorecidos, ao aceitarem a molecagem como estratégia política, os “cidadãos de bem” mostram quanto mal podem fazer ao país. Goebbels teria orgulho. Kataguiri e companhia não estão preocupados com o desenvolvimento brasileiro. Querem, apenas, continuar em evidência. Agem, por isso, exatamente como os que combatem – perseguindo o poder pelo poder. O MBL representa, assim, uma geração política que já nasceu deformada.