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Aécio Neves continua ingênuo, após 32 anos de política? Risos...

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Olhando os 9 inquéritos contra Aécio no STF, só há duas conclusões possíveis: ou realmente ele é incapaz de aprender com seus erros; ou de ingênuo, ele não tem nada...

Aécio Neves continua ingênuo, após 32 anos de política? Risos...
Tucano ou patinho? Aécio jura por Deus que tudo não passou de uma armadilha (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Abandonado pelo PSDB, seu próprio partido, e correndo um risco concreto de se tornar réu na Lava Jato nesta terça-feira (17) por decisão da primeira turma do STF, o senador mineiro Aécio Neves tenta se defender como pode. Nesta segunda (16), publicou um artigo na Folha de S.Paulo com sua versão dos fatos. Como se sabe, Aécio foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, um dos donos da JBS. O dinheiro seria usado para pagar advogados para sua defesa. Desde que a conversa veio a público, Aécio insiste que se tratou de um pedido pessoal e envolvia a venda de um apartamento no Rio de Janeiro. Não haveria, portanto, corrupção. Ao se referir à situação, o tucano afirmou, no artigo da Folha: “fui ingênuo, cometi erros e me penitencio diariamente por eles. Mas não cometi nenhuma ilegalidade.”

É possível que Aécio tenha, mesmo, feito uma baita bobagem de acreditar ingenuamente em um empresário enrolado na Lava Jato, com relações nada republicanas com alguns dos políticos presos ou investigados pela força-tarefa. Pode acontecer. Ninguém está imune a uma bobeada grave. Mas... e o que o próprio senador escreveu no parágrafo imediatamente anterior a esse em que confessa sua ingenuidade? Vejamos: “o que me define são os meus 32 anos de vida pública honrada e não os poucos minutos de uma armadilha montada por criminosos.”

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Esse é só um dos lados dessa história. Veja outro:

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Uma grande escola

Não sei vocês, caros leitores, mas 32 anos de vida pública é uma escola e tanto. Aécio conviveu com alguns dos maiores políticos da Nova República, como seu avô, Tancredo Neves, e Ulisses Guimarães, presidente da Constituinte de 1988 e reconhecido por sua seriedade no trato da coisa pública. Não poderia, portanto, contar com melhores mestres. Ao longo de sua trajetória, foi deputado federal por Minas Gerais entre 1987 e 2002, chegando a presidir a Câmara entre 2001 e 2002. Saiu do Congresso para se eleger e reeleger governador de Minas em 2002 e 2006. No meio tempo, elegeu seus aliados na prefeitura de Belo Horizonte, bem como seu sucessor no governo. E, desde 2010, é senador pelo Estado.

Conviveu com políticos dos mais variados partidos. Chegou a estabelecer uma aliança com o ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva, a ponto de, nos anos em que ambos ocupavam o centro da cena política nacional, a imprensa, seus críticos e seus aliados cunharem o termo “Lulécio” para se referir à dobradinha de Lula e Aécio em Minas.

Não é a primeira vez

Sejamos francos... como é possível acreditar que alguém com um currículo político desses ainda pode ser “ingênuo”? Aécio nunca soube das relações de Joesley com o lado negro da política? Nunca desconfiou de nada? E, mesmo que o tucano tenha sido tão desatento, não haveria ninguém em seu entorno para alertá-lo? Afinal, sua irmã e braço-direito, Andrea Neves, tinha mesmo de procurar Joesley para lhe oferecer o dito apartamento carioca? Não tinha ninguém, digamos, menos problemático? Um senador da república não tem um círculo de amigos amplo o suficiente para vender um imóvel sem ter dor de cabeça?

É verdade que não se pode condenar ninguém de antemão, mas vejamos o outro lado disso tudo. Aécio é alvo de nove inquéritos que cochilam confortavelmente nas gavetas do STF. Este não é o primeiro. Além do pedido de R$ 2 milhões para Joesley, o tucano também está enrolado com suspeitas de corrupção passiva em esquema de corrupção em Furnas; fraudes financeiras, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro no caso do mensalão mineiro; corrupção passiva envolvendo a Odebrecht... vendo todos os casos cabeludos em que Aécio está metido, só há duas possíveis conclusões: ou ele realmente é muito ingênuo e não aprende nada com seus erros em 32 anos de carreira; ou de ingênuo, ele não tem nada...