Bolsonaro: a 'bancada da metralhadora' era de espoleta

Bolsonaro: a 'bancada da metralhadora' era de espoleta

Bolsonaro prometeu levar 20 deputados para o PSL; conseguiu apenas nove – incluindo ele próprio e seu filho...

Bolsonaro: a 'bancada da metralhadora' era de espoleta
Duas dezenas: foi o tanto de deputados que Bolsonaro prometeu ao PSL (Foto: Divulgação/Facebook)
Bolsonaro: a 'bancada da metralhadora' era de espoleta

Muito se escreveu sobre o balanço final do troca-troca de deputados federais na janela partidária que terminou no último dia 07. No geral, a imprensa fez a previsível análise das legendas que mais ganharam ou perderam peso com o processo. Alguns jornalistas destacaram o PSL (Partido Social Liberal – opa! Tem social no nome! Então, é comunista!!) como um dos grandes vencedores. Afinal, a legenda saltou de três para 11 deputados. Atribuem o desempenho à filiação de Jair Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto e, agora, virtual líder da corrida eleitoral, já que seu maior adversário, Luiz Inácio Lula da Silva, está preso em Curitiba. Mas... vamos com calma. Lembremo-nos do básico: ao se filiar ao PSL, em março, Bolsonaro prometeu formar uma “bancada da metralhadora” e disse que, ao final da janela partidária, o PSL contaria com 20 parlamentares. Sim... 20. A pergunta é: cadê?

Vejam, caros leitores, que embaraçoso: para sair de três e chegar a 11 deputados, o movimento envolveu a filiação de nove e a saída de uma. Só que, destes nove, dois são óbvios – o próprio Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo. Logo, apenas sete deputados acompanharam, efetivamente, o ex-militar em sua nova legenda por simpatia à causa. Para quem prometia 20, convenhamos, passou longe... mas é compreensível. Políticos, mais do que ninguém, têm um aguçado instinto de sobrevivência. A esta altura, os parlamentares estão mais preocupados em se reeleger, do que em apoiar alguém para a presidência. Para tanto, precisam de legendas com estrutura e capazes de financiar suas campanhas – algo que o PSL está longe de conseguir em quantidade razoável.

Assim, o recado que a maioria dos deputados deu a Bolsonaro é claro: o ex-capitão terá de provar sozinho que é capaz de vencer. Se conseguir, terá chegado ao poder por um partido pequeno e, portanto, precisará negociar exaustivamente uma base de apoio. Como negociar, em politiquês, significa o velho toma-lá-dá-cá, você já pode imaginar o que viria em seguida. Em vez de chegar ao Planalto nos braços de uma “bancada da metralhadora”, Bolsonaro assumiria sob a mira dos fisiologistas de sempre. E teria que negociar com uma arma na cabeça – a arma da ingovernabilidade. Tudo porque superestimou sua capacidade de atrair aliados. Sua metralhadora verbal, no fim das contas, disparava balas de festim.

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