Bolsonaro e a CIA: o que ele quer é mais uma desculpa para sua derrota

Bolsonaro e a CIA: o que ele quer é mais uma desculpa para sua derrota

Talvez, Bolsonaro saiba que pode enganar 20% dos eleitores, mas não a si mesmo: ser presidente nunca esteve em seus planos, já que seu habitat são as sombras da Câmara

Tadinho: para quem faz pose de machão, Bolsonaro chora demais e aguenta ataques de menos (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Ag. Brasil)

Por trás de toda a boçal grosseria vendida como firme hombridade, Jair Bolsonaro é apenas um amarelão em busca de desculpas para sua derrota. Podem reparar: o ex-capitão do Exército gasta muito mais tempo choramingando com voz grossa contra quem aponta suas evidentes falhas (técnicas e de caráter) e muito pouco tempo debatendo e apresentando propostas para conduzir o país. É um comportamento típico de quem não tem o que oferecer e sabe, bem lá no fundo, de que é vazio como um pixuleco inflado na avenida Paulista. A nova desculpa para a sua provável derrota em outubro é o relatório da CIA “vazado” por um pesquisador que não teria nada de útil para fazer, além de prejudicar sua campanha.

Como se sabe, nesta sexta-feira (12), Bolsonaro aproveitou uma entrevista à Rádio Super Notícia, de Minas Gerais, para criticar a divulgação do documento. Em suas palavras, a decisão de Ernesto Geisel, penúltimo general-presidente da ditadura, de manter a política de execução sumária de opositores do regime equivale a dar “um tapa no bumbum do filho”. “Acontece, tá?”, completou. Em seguida, colocou em dúvida a credibilidade do relatório, ao questionar onde estariam os restos dos 104 presos políticos mortos durante a presidência de Emílio Garrastazu Medici.

Desculpinha

Que Bolsonaro defende a ditadura, os ditadores e, pior, os torturadores daquele período, não é segredo para ninguém. Sempre será lembrado como o deputado que, ao votar pelo impeachment de Dilma Rousseff, homenageou o coronel Carlos Ustra, reconhecido torturador do período. A novidade, ou melhor dizendo, o que fica cada vez mais claro é a estratégia de Bolsonaro de criar uma “narrativa” em que tudo e todos se articulam o tempo inteiro para derrotá-lo em outubro.

Na mesma entrevista à rádio mineira, o presidenciável do PSL voltou a alimentar as teorias da conspiração: “voltaram à carga, né? Um capitão está pra chegar lá [na presidência]. É o momento. Foi um memorando de um agente que a imprensa não divulgou. É um historiador que diz que leu isso e não mostrou.” Pois é... em resumo, Matias Spektor, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (um reconhecido antro de comunistas revolucionários conspiradores), tirou seu dia apenas para atazanar o pobre candidato.

Não importa que o documento tenha sido liberado pelo governo norte-americano e esteja disponível para consulta pública. Para o ex-militar, a única coisa que conta é alimentar a paranoia de seus bovinos e fanáticos seguidores. A tese favorita de Bolsonaro é de que haverá fraude na eleição de outubro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que o “sistema” trabalha para eleger o sucessor de Temer. Sem o voto impresso, a fraude seria certeira e inevitável como um tiro de sniper. Em outra ocasião, declarou que há um complô dos outros candidatos para derrotá-lo. Também costuma acusar a mídia de atacá-lo unicamente para que não vença.

Como chora...

Para quem se orgulha de ter servido o Exército, Bolsonaro adora posar de vítima. Perde mais tempo atacando quem aponta suas evidentes e escarradas falhas, do que rebatendo adversários com bons argumentos, propostas consistentes e factíveis. Utiliza seu arsenal de robôs, trolls, haters e fanáticos para emporcalhar redes sociais e intimidar críticos, no melhor estilo “tiro-porrada-e-bomba”, em vez de buscar consensos, costurar soluções negociadas etc.

Talvez, no fundo, Bolsonaro saiba que engana 20% dos eleitores, mas não consegue enganar a si mesmo – nunca esteve no seu horizonte nada além de uma vida nas sombras da Câmara, de onde poderia grunhir grosserias para mobilizar eleitores que garantissem a renovação periódica de seu mandato. Alçado à condição de mito por um bando de lunáticos, Bolsonaro é o herói involuntário de uma revolução de mentira, cuja iniciativa e liderança nunca lhe pertenceram. Foi, como tantos outros, um oportunista em busca de autopromoção. Só não contava que a turba faria algo que nem ele mesmo faz: levá-lo a sério...

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