POLíTICA

Com ou sem Lula, Bolsonaro está empacado há quase um ano

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O fato é que, após tanta exposição, comícios, vídeos em redes sociais, viagens e outdoors, Bolsonaro não sai dos 17% de intenções de voto

Com ou sem Lula, Bolsonaro está empacado há quase um ano

Os fanáticos torcedores de Jair Bolsonaro (PSL) comemoram, neste domingo (05), a pesquisa Datafolha em que o ex-militar aparece liderando a corrida presidencial, agora que seu maior adversário, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, está preso em Curitiba. Mas vamos olhar o quadro geral. Qualquer que seja o cenário proposto, Bolsonaro permanece rigorosamente com os mesmos 17% de intenções de voto. A saída de Lula lhe acrescenta um ganho marginal de um a dois pontos percentuais – e só. A ex-senadora acreana e ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, Marina Silva (Rede), segue em seu calcanhar, com 15% de apoio. Mas, o mais interessante é avaliar a evolução de Bolsonaro ao longo dos últimos meses. O que se constata, para embaraço dos bolsonaristas, é que seu candidato não sai do lugar, nas pesquisas, há cerca de um ano.

Duvida? No fim de junho de 2017, Bolsonaro atingiu, pela primeira vez, a vice-liderança da corrida eleitoral, ultrapassando Marina Silva no seu melhor cenário, com 16% de intenções de voto. Nas outras simulações, o ex-militar ficava em terceiro, com 13%, ou empatava com a ex-senadora, com 15%. Desde então, Bolsonaro pouco mudou. Em outubro do ano passado, o mesmo Datafolha constatava sua consolidação em segundo lugar, com patamares entre 13% e 19%, conforme as simulações. Em dezembro (seu melhor momento), obteve entre 17% e 22%. No fim de janeiro, oscilou entre 15% e 20%. Agora, neste domingo, Bolsonaro aparece com 15% a 17%.

Só espuma

A conclusão mais simples que se tira destes números é que Bolsonaro é incapaz de apresentar um crescimento consistente, capaz de romper a barreira dos 20% de votos, após um ano de tanta exposição na mídia, atuação em redes sociais, viagens, outdoors, indicação do banqueiro Paulo Guedes como seu ministro da Fazenda (caso vença), juras de amor ao liberalismo (após seu passado estatizante), viagens ao exterior para “trocar experiências”, prisão de Lula, implosão do PT, janela partidária, filiação ao PSL, apresentação de suas ideias a empresários etc., etc., etc... dá ou não dá o que pensar? Afinal, o candidato reiteradamente é censurado por fazer campanha eleitoral antecipada, dados os outdoors e outros estratagemas que, vira-e-mexe, aparecem por aí.

Além disso, Bolsonaro sempre insistiu que recorrerá às redes sociais para se promover, pois sabe que terá pouco tempo de TV, dada a pequenez de seu partido (PSL, ou Partido Social Liberal – ops! Tem social no nome! É comunista!...). Se o raciocínio fosse correto, Bolsonaro deveria estar bombando a seis meses das eleições, já que há pouquíssima regulamentação eleitoral para a internet e as redes sociais e o ex-militar é um usuário contumaz do Facebook e assemelhados. Não haveria, portanto, restrições objetivas para que embalasse um crescimento consistente rumo ao Planalto.

O que nos leva à segunda conclusão: Bolsonaro foi apenas uma expressão caricatural e casual do antipetismo que pressionou pelo impeachment de Dilma Rousseff e pela prisão de Lula. À medida que o tempo passa e a eleição se aproxima, o ex-militar vai mostrando que não tem fôlego para voos mais altos. Não mobiliza grandes setores da sociedade. Não convence pessoas mais ponderadas de que não é apenas um desequilibrado que fala com o fígado. Não consegue sustentar racionalmente ideias para recuperar o país e conduzir a economia. Não é capaz, sequer, de apresentar propostas concretas para melhorar o desempenho da intervenção federal na segurança pública do Rio. Infelizmente, cerca de 17% dos eleitores ainda não perceberam isso. Ou perceberam... mas não têm nenhum compromisso com o país.