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Enfim, algo de bom: BC terá de aprovar diretores de bancos públicos

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É claro que, mais do que nunca, o BC será jogado no turbilhão de interesses e pressões escusas para aprovar nomes pouco honrados

Inabalável? O que fará o Banco Central, diante de uma indicação apenas política para um banco público? (Foto: Divulgação/Banco Central)
Inabalável? O que fará o Banco Central, diante de uma indicação apenas política para um banco público? (Foto: Divulgação/Banco Central)

Em meio a tanta notícia negativa, fica até difícil acreditar no futuro do Brasil. Mas, de vez em quando, algo positivo acontece. Depois dos escândalos envolvendo a diretoria da Caixa Econômica Federal nos últimos meses, o presidente Michel Temer decidiu que as indicações para a diretoria de bancos públicos federais terão de ser aprovadas pelo Banco Central. Atualmente, o aval do BC só é obrigatório para dirigentes de bancos privados e de bancos públicos estaduais. Com a brecha, as instituições federais (Caixa, Banco do Brasil e BNDES) tornaram-se uma casa de libertinagem, com apadrinhados políticos ocupando cargos estratégicos apenas para atender aos interesses de seus grupos.

As consequências, como se sabe, são nefastas. Apenas para ficarmos no escândalo mais recente – e que inspirou a decisão de Temer -, no início do ano, o Ministério Público Federal e o próprio BC recomendaram ao governo o afastamento de todos os 12 vice-presidentes da Caixa por suspeitas de irregularidades na gestão apuradas pela Operação Greenfield, que investiga fraudes em fundos de pensão. Após o previsível cabo-de-guerra entre os procuradores e o governo, Temer decidiu afastar quatro dirigentes do banco. Segundo o Estadão desta segunda (26), o loteamento partidário era tamanho, que apenas um dos 12 vice-presidentes não foi indicado por motivos políticos.

Não é de hoje, também, que os bancos federais se tornaram um filão e tanto para a corrupção. Basta lembrar que Geddel Vieira Lima, ex-ministro dos governos Lula e Temer, foi preso pela Lava Jato justamente por trambiques cometidos, quando era vice-presidente da... Caixa, durante a presidência de Dilma Rousseff. Parte daqueles R$ 51 milhões descobertos em malas num apartamento de Salvador, e que escancararam a desfaçatez de alguns de nossos “maiores” líderes políticos, saiu dos cofres daquela instituição.

Resistência

Ao permitir que o BC aprove as nomeações, o governo dá um passo na direção correta: o da profissionalização da gestão. É claro que, como tudo na vida política brasileira, não será um mar de rosas. Mais do que nunca, o BC será jogado no turbilhão de pressões e interesses escusos, será assediado para fazer vista grossa, concordar ou, no mínimo, não atrapalhar. Se ceder, estará desmoralizado. É verdade, também, que a determinação de Temer ainda passará por um calvário de burocracia e negociatas políticas.

O governo não sabe se baixará a medida por meio de decreto, para que tenha validade imediata, ou seguirá o caminho sem fim dos projetos de lei. Em ambos, porém, o Congresso terá de aprovar a decisão. Algo que, convenhamos, não será nada fácil, por contrariar os interesses precisamente... de quem está no Congresso.