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Esqueça Lula; Temer e a Lava Jato é que importam agora

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Temer pode até enterrar a Lava Jato no STF, mas não significa ele estará garantido no Planalto até 2018

Esqueça Lula; Temer e a Lava Jato é que importam agora

(Foto: Marcos Corrêa/PR)

O Brasil acompanha um feito inédito: num único dia, esta quarta-feira (13), um ex-presidente e o atual presidente estão se explicando na Justiça. Em Curitiba, Luiz Inácio Lula da Silva depõe a Sérgio Moro. Mas Lula já é um cachorro morto, defendido apenas pela claque petista. O que importa, mesmo, é o julgamento que envolve Michel Temer. Hoje, o STF julga o pedido de sua defesa para declarar a suspeição de Rodrigo Janot, o quase ex-Procurador-Geral da República. Até onde se enxerga, uma eventual vitória de Temer ferirá gravemente a Lava Jato, mas não garantirá uma longa sobrevivência ao próprio Temer.

O STF precisa avaliar dois pontos. O primeiro é se Janot tem lisura suficiente para investigar Temer, que o acusa de persegui-lo politicamente e acusá-lo sem provas. Mesmo que o STF considere que Janot não atua descaradamente para prejudicar o presidente, ainda restará decidir o que fazer com as provas coletadas no caso – a famosa conversa entre Joesley Batista, da JBS, e Temer no porão do Jaburu; e a gravação de Rodrigo Rocha Loures, assessor de Temer, correndo com uma mala recheada com R$ 500 mil.

Por que a defesa de Temer quer anulá-las? Porque descobriu-se que o antigo braço-direito de Janot, Marcelo Miller, orientou a JBS para coletá-las, ainda quando era procurador. Se o Supremo acatar o pedido e invalidá-las, pode empurrar a Lava Jato para um doloroso fim. Isto porque, investigados, acusados e condenados com base em delações da operação tomarão coragem para pedir a invalidação de provas que, para eles, também foram produzidas deliberadamente para prejudicá-los.

Balas na agulha

Mas, ainda que Temer vença a batalha desta quarta, ao afastar Janot do caso e invalidar as gravações de Joesley que sustentaram a primeira denúncia da PRG contra si, o presidente ainda enfrentará bombardeio pesado – o que significa que não há garantias de que tenha vida longa no Planalto. A ameaça mais evidente é Lúcio Funaro, o operador do PMDB preso pela Lava Jato. Funaro já começou a mostrar o que entregará no seu acordo de delação premiada. O Globo de hoje estampa que o doleiro pegou pessoalmente R$ 1 milhão para Temer. O dinheiro estava no escritório de José Yunes, o amigão do presidente. Em seguida, entregou a grana a Geddel Vieira Lima.

Geddel, por sua vez, está preso e chorando. Quem o conhece aposta que, mais dia, menos dia, o aliado de Temer abrirá a boca e contará o que sabe. Poderá, assim, mostrar quanto dos R$ 51 milhões apreendidos num apartamento de Salvador em malas e caixas é dele, e quanto pertence a políticos emporcalhados pela corrupção. Já imaginou, se ele conta algo sobre o ocupante do Planalto?

Faroeste espaguete

Por último, Wesley Batista, outro dono da JBS, juntou-se ao irmão, Joesley, nas carceragens da Polícia Federal. Sua prisão foi interpretada, hoje, como um sinal de que Joesley ficará mais tempo preso do que pensa. A prisão temporária, de cinco dias, deverá ser transformada em preventiva. Se isso acontecer, Joesley, que chegou à PF com um terço nas mãos, rezará muito para que os procuradores aceitem novas informações sobre a sujeira em Brasília. Poderá, por exemplo, começar explicando direitinho o que foi fazer no Jaburu.

Juntando tudo, a situação de Temer é a mesma daquele caubói que, num duelo, saca primeiro e acerta o adversário. Num lance dramático, porém, o rival cai atirando e também o fere. Cambaleante, o caubói declara-se vencedor da disputa, apenas para dar alguns passos e despencar adiante. Temer pode até alvejar a Lava Jato com a suspeição de Janot e a invalidação de provas no julgamento do STF, mas ainda está longe de ser à prova de balas.