PT

Fernando Haddad: de Plano B de Lula a Plano B para o governo de SP?

Author

Ministério Público Federal denuncia Luiz Marinho, candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes, e recoloca Haddad na disputa

Fernando Haddad: de Plano B de Lula a Plano B para o governo de SP?

(Foto: Paulo Pinto / AGPT)

Luiz Marinho e seu grupo foram ligeiros em garantir a candidatura do PT ao governo de São Paulo no ano que vem. O objetivo era bloquear uma eventual disputa interna com o ex-prefeito paulistano, Fernando Haddad. Mas, como dizia o banqueiro e político mineiro Magalhães Pinto (1909-1996), a política é como as nuvens – muda a cada vez que se olha. Nesta sexta-feira (17), o Ministério Público Federal denunciou, à Justiça, Marinho e mais 15 pessoas por supostas fraudes na construção do Museu do Trabalhador em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Mesmo na improvável hipótese de a Justiça não aceitar a denúncia, Marinho já terá um teto e tanto de vidro para defender numa eventual corrida para o Palácio dos Bandeirantes no ano que vem. Tal fragilidade recoloca Haddad no jogo, queira ele ou não.

Apenas para refrescar a memória, algumas informações rápidas. O Museu do Trabalhador foi apelidado de “Museu do Lula”, porque seu objetivo é contar a história do movimento sindical – do qual o ex-presidente foi protagonista durante as greves do fim dos anos 70 e começo dos 80. Sua construção está a cargo da Prefeitura de São Bernardo, ocupada por Marinho de 2009 a 2017. Em dezembro do ano passado, a Polícia Federal e o Ministério Público lançaram a Operação Hefesta, que visava a apurar irregularidades na contratação da obra. Na época, a força-tarefa apontou que até R$ 11 milhões foram desviados das obras. Além disso, há a suspeita de que a CEI Eirelli, construtora que venceu a licitação para erguer o museu, seja uma empresa de fachada, já que não contaria nem com endereço fixo, funcionários ou patrimônio suficiente para se qualificar para uma concorrência do tipo.

A esta altura, a grande rejeição do eleitorado paulista ao PT fará com que a troca de Marinho por Haddad como candidato a governador não tenha efeito nenhum. Marinho aparece na rabeira das pesquisas eleitorais, e Haddad, incluído em algumas sondagens para a Presidência como plano B do PT, também é quase um indigente político. Mesmo que se restrinja ao Estado de São Paulo, onde a capital tem um peso proporcionalmente maior, Haddad não chegará ao Bandeirantes, a não ser que ocorra uma reviravolta digna de novela das nove. Mas a saída de Marinho e a entrada do ex-prefeito pode prejudicar os planos do PT em outra esfera: o preenchimento de vagas no Congresso.

O plano B do plano B

Ao antecipar o anúncio de Marinho como o nome do partido para o governo paulista, os petistas esperavam induzir Haddad a concorrer a uma vaga no Congresso – de preferência, para o Senado, que deverá colocar duas vagas por Estado em disputa. No cenário dos sonhos do PT, Eduardo Suplicy e Haddad ganhariam ambas, fortalecendo o partido na Casa. É verdade que Haddad não morre, nem um pouco, de amores pela ideia de passar os próximos anos entre nobres senadores em Brasília. Ele comunicou à direção da legenda, por exemplo, que só topa concorrer para o Senado, se Suplicy não disputar. Se o atual vereador paulistano se apresentar para a missão, Haddad pulará fora. Pode ser apenas charminho para valorizar o passe, mas, pelo sim, pelo não, o PT não pode se dar ao luxo de ignorar nenhum cenário.

Se já está difícil convencer Haddad de concorrer a um cargo no Legislativo, imagine para governador. Há quem diga, ainda, que o professor da USP é o plano B do partido, caso Lula seja impedido de concorrer à Presidência em 2018, devido à Lava Jato. Oficialmente, a cúpula petista afirma que não há plano B e que seguirá com o ex-presidente até o fim – seja ele qual for. Em público, Haddad é diplomático e diz que concorrer ao Planalto seria um desrespeito ao seu padrinho político. Por ele, não há mesmo plano B. Resta saber se ele topará ser o plano B na corrida pelo governo paulista. Caso contrário, o PT corre o risco de não ter palanques fortes no Estado mais importante do país.