POLÍTICA

Fernando Haddad: uma renovação que chega tarde ao PT

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Haddad não passaria de um boneco de ventríloquo, utilizando o horário eleitoral gratuito para reforçar a fábula da perseguição política a Lula

Em segundo plano: Haddad serviria apenas para defender publicamente Lula na campanha (Foto: Paulo Pinto/Agência Fotos Públicas)
Em segundo plano: Haddad serviria apenas para defender publicamente Lula na campanha (Foto: Paulo Pinto/Agência Fotos Públicas)

Embora as chances de Luiz Inácio Lula da Silva ser preso após o julgamento de seus recursos em segunda instância terem caído bastante nesta semana, após a vergonhosa decisão do STF de lhe conceder um habeas corpus provisório, o ex-presidente voltou a insistir para que Fernando Haddad se prepare para substituí-lo nesta eleição. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo deste sábado (24), Lula preferiria o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, mas seu nome caiu por terra, quando a Polícia Federal o indiciou por suspeita de receber R$ 82 milhões em propinas pela construção da Arena Fonte Nova para Copa de 2014. Num momento em que o PT precisa, mais do que nunca, de renovação, Haddad é um bom nome. Contudo, a politicagem partidária fará com que entre tarde na corrida eleitoral e, pior, o queimará.

É verdade que Haddad não é o nome mais querido pelos petistas. Os mais jovens e puristas o encaram como um “tucano” no PT. Já a velha guarda ressente-se de sua resistência a participar do modus operandi da legenda. Tudo somado, é improvável que Haddad conte com um apoio entusiasmado da máquina e da militância petistas, se assumir a candidatura ao Planalto, mesmo que indicado pessoalmente por Lula.

Seguindo o script

Sua missão seria ainda mais complicada, quando se considera que Haddad teria pouquíssimo tempo para se promover. Na improvável hipótese de o STF negar, em 04 de abril, o habeas corpus de Lula e permitir, portanto, sua prisão, o PT mantém firme a decisão de registrar sua candidatura em 15 de agosto – o último dia permitido pelo TSE. Com isso, pretende continuar com a ladainha de que Lula é perseguido político. Ele só deixará a cena, mediante a impugnação da candidatura pela Justiça Eleitoral, algo que pode demorar semanas. Assim, Haddad já seria oficializado em meados de setembro, com poucas semanas, portanto, para divulgar seus planos.

Na prática, é muito mais provável que o PT utilize o tempo de propaganda gratuita para defender Lula e promover a fábula da perseguição do líder popular que resgatou os brasileiros da miséria, contrariando os interesses das elites e pagando com a liberdade por isso. Se for assim, Haddad não passará de um boneco de ventríloquo, lendo o teleprompter e ocupando um espaço que poderia ser muito mais bem utilizado se, efetivamente, o PT estivesse disposto a se renovar. Mas não parece ser o caso.