POLíTICA

Gilmar Mendes deveria ser cassado (simples assim)

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Um reparo ao ministro Luís Barroso: Gilmar não desmoraliza o STF; desmoraliza o próprio Brasil

Gilmar Mendes deveria ser cassado (simples assim)

A cassação do ministro Gilmar Mendes, do STF, deveria ser uma questão de honra para todo brasileiro que sonha sinceramente com um país melhor. O barraco que protagonizou nesta quarta-feira (21) com o colega Luís Roberto Barroso e as caneladas que trocou com a presidente da corte, Cármen Lúcia, mostram o quanto Gilmar é cada vez mais indigno da toga que ostenta. O problema, claro, é que ele só se sustenta onde está, porque serve a poderosos interesses. Ou, como disse Barroso, claramente, Gilmar “está sempre atrás de algum interesse, que não é o da Justiça.”

A bem da verdade, a contrapartida também deve ser válida. Haverá sempre algum interesse precisando da ajuda de Gilmar. Basta lembrar, novamente, a insistência com que o ministro concedeu liminares a Jacob Barata Filho, seu amigo, quando o empresário foi preso pelo braço da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, acusado de integrar o bilionário esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral. Por três vezes, contrariando as determinações do juiz Marcelo Bretas, Gilmar garantiu sua liberdade.

Barata Filho, contudo, não foi o único a se beneficiar com o senso de Justiça do ministro. No fim do ano, por exemplo, Gilmar libertou outro empresário enrolado com Cabral: Marco Antônio de Luca, conhecido como “o rei das quentinhas”, por deter o contrato de fornecimento de marmitas para as prisões fluminenses. De tabela, suspendeu o processo contra o governador do Paraná, Beto Richa, que tramita no STF e no qual é acusado de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e outros crimes.

Toga camarada

Agora, Gilmar pode salvar outro condenado pela Lava Jato. Sim, ninguém menos que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, de quebra, beneficiar diversos envolvidos com o esquema de corrupção apurado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. O ministro pressiona para que a prisão após condenação em segunda instância seja rediscutida no plenário. Em 2016, o STF decidiu, por 6 votos a 5, que o assunto não feria a Constituição e, portanto, era possível que os condenados começassem a cumprir a pena assim que todos os recursos na segunda instância fossem julgados.

Na época, a Lava Jato acuava sobretudo os políticos do PT e seus aliados do MDB. Gilmar votou a favor da prisão após segunda instância. Dois anos depois, com a operação no calcanhar de políticos de outras legendas, Gilmar quer mudar seu voto e impedir a execução imediata da sentença. Por isso, a bem da verdade, votar pelo acatamento do habeas corpus de Lula não é uma questão de honra para o ministro. Ocorreu, apenas, que as circunstâncias os colocaram do mesmo lado. Beneficiar Lula seria um pequeno preço a pagar, em troca da ajuda a seus verdadeiros aliados. E isso mostra bem a “mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia” que formam a alma de Gilmar, nas palavras do ministro Barroso, que emendou que seu desafeto “desmoraliza o tribunal.” Para sermos justos: Gilmar desmoraliza o próprio Brasil.