POLÍTICA

Greve: Bolsonaro agora defende a democracia? Ora, vá...

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Bolsonaro não está, nem nunca esteve, preocupado em manter a democracia. Está, como sempre esteve, preocupado apenas em se aproveitar da situação

Atirando pra qualquer lado: Bolsonaro não quer a democracia, quer apenas o poder que o voto lhe daria (Foto: Divulgação)
Atirando pra qualquer lado: Bolsonaro não quer a democracia, quer apenas o poder que o voto lhe daria (Foto: Divulgação)

Jair Messias Bolsonaro, o ex-capitão que elogia o torturador Carlos Brilhante Ustra, é o mais novo baluarte da democracia brasileira. Sim, meus amigos, ergam as mãos aos céus e gritem “Aleluia”. Ou, então, rolem no chão, rindo de escárnio. Não sei vocês, mas só agora consegui recuperar o fôlego, depois de gargalhar tanto. Depois de divulgar um vídeo apoiando a greve, Bolsonaro passou as últimas horas, afirmando que os caminhoneiros passaram do limite e é hora de acabar com a paralisação. Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta terça-feira (29), por exemplo, declarou: “A coisa chegou num ponto que precisa refluir. Aí entra o aspecto político. Não interessa, acredito eu, para mim, para o Brasil, para quem quer a democracia, o caos agora.”

Rapidamente, levas de bolsominions mudaram seu discurso da água para o vinho nas redes sociais, de modo bastante coerente com a bovina e obtusa subserviência com que se prostram diante de seu Messias. Até ontem, os bolsominions defendiam a greve, com o argumento de que era um protesto legítimo contra o presidente Michel Temer, a alta do diesel (crítica incompreensível, já que a Petrobras adotou uma política de livre flutuação, de acordo com o mercado internacional, algo que Bolsonaro diz defender, já que jura que é liberal de carteirinha desde que adotou Paulo Guedes como seu hipotético ministro da Fazenda), e contra tudo isso que está aí.

Bastou, contudo, que a eleição de Bolsonaro seja ameaçada em outubro, para que suas baratas tontas corressem para o outro lado. Já vi hoje, em redes sociais, bolsominions dizendo que a continuidade da greve só interessa a quem quer dar um golpe preventivo, com o único objetivo de impedir que Bolsonaro chegue ao Planalto. Francamente... é muita cara de pau... muito mau-caratismo para um grupo de lunáticos que adora fazer a apologia da ditadura, idolatra torturadores, orgulha-se de defecar e caminhar para a ampliação dos direitos (um preceito democrático fundamental) e prega o uso da força bruta contra quem discorda (ofendendo, atacando, xingando a plenos pulmões quem pensa diferente). Isso, lá, é ser democrata? Ora, vão ao lupanar onde suas progenitoras lhes deram à luz...

Acredita, bobo...

Bolsonaro não está, nem nunca esteve, preocupado com a manutenção da democracia brasileira. Está, como sempre esteve, preocupado apenas em se aproveitar da situação. Insisto: o ex-militar é um oportunista, um herói involuntário de um movimento que não iniciou, nem liderou, nem idealizou. Foi, apenas, alçado à condição de mito por um bando de pessoas com sérias limitações cognitivas, que o inflou com o mesmo entusiasmo com que pôs o Pixuleco de pé – e, assim como o Pixuleco, Bolsonaro é igualmente vazio de conteúdo.

No fundo, Bolsonaro nunca pretendeu nada além de se esconder nos cantos úmidos, escuros e pouco ventilados da Câmara, parasitando a máquina pública com o uso de auxílio-moradia para “comer gente”, de verbas de gabinete para pagar sua empregada doméstica como “assessora parlamentar” etc. Sua base eleitoral sempre foi o Rio de Janeiro, controlado por seus filhos. Estava bom para ele. Mas, agora que há uma chance de subir a rampa do Planalto em 1º de janeiro de 2019, ele se assanhou. Não que ele tenha se convencido de que é qualificado o suficiente para presidir o país, nem que preze pelo povo ou pelo futuro dos brasileiros. Quer, apenas, garantir a oportunidade de sua vida. Se o custo é se fingir de defensor da democracia até outubro, ele está disposto a pagar. Mesmo negando toda a apologia à ditadura que promoveu até recentemente. Mesmo que, agora, precise mentir para si mesmo.