POLÍTICA

Greve mostra que Bolsonaro e seus lunáticos são liberais de mentirinha

Author

Se Bolsonaro fosse, mesmo, sincero em seu liberalismo, estaria elogiando a política de preços da Petrobras – e não propondo uma intervenção

Um caminhão de engodos: Bolsonaro é liberal apenas quando lhe convém (Foto: Roberto Parizotti)
Um caminhão de engodos: Bolsonaro é liberal apenas quando lhe convém (Foto: Roberto Parizotti)

A reação de Jair Bolsonaro, o presidenciável do PSL (tem “social” no nome! É comunista!), revela o quanto sua transformação em liberal é apenas fake news. Ao criticar um vídeo de Rachel Sheherazade, em que a jornalista (sic) se opõe ferozmente à greve dos caminhoneiros, Bolsonaro leva apenas um minuto e meio para revelar seu bom e velho intervencionismo estatal. Para ele, a atual política de preços da Petrobras, que acompanha a variação diária do petróleo no mercado internacional, é “um mau-caratismo”. E mais, recomenda que, no mínimo, se fizesse uma “média ponderada” (seja lá o que isso signifique) para estabelecer o preço no mercado interno. Ué... mas não é ele que se orgulha de ter Paulo Guedes, um liberal radical, como pretenso ministro da Fazenda? Liberal que é liberal defende as regras do mercado, e não fica de chororô com variação de preços, não é mesmo?

Isso mostra o quanto os seguidores de Bolsonaro, e ele próprio, são liberais de araque. Se, como defende Guedes, a Petrobras for privatizada, o que o ex-capitão fará? Imporá uma regra de reajuste de combustíveis à empresa? Mas isso não é intervencionismo estatal? Isso que seus lunáticos seguidores tanto odeiam? Para quem não se lembra, a rigor, o petróleo é uma commodity internacional, isto é, seu preço é regulado pelo mercado global. Uma petrolífera que entre nesse jogo precisa acompanhar essa curva de preços, sob o risco de perder lucratividade (se cobrar menos que a média de mercado) ou vendas (se cobrar mais que a média de mercado).

E o valuation, candidato??

De qualquer modo, seguir a curva de preços é o que os analistas de mercado esperam que a empresa faça, se for, mesmo, fiel ao seu espírito de livre concorrência. E Bolsonaro jura que virou um devoto sincero da Sagrada Igreja da Livre Iniciativa. Se Bolsonaro se converteu mesmo, e se estiver bem assessorado economicamente (coisa que jura que está), deveria ser o primeiro a defender a política de preços da atual diretoria da Petrobras, que a alinhou à curva internacional e, por tabela, recuperou sua lucratividade e seu valor na bolsa. Afinal, para quem não baba e entende um pouco de análise fundamentalista de empresas (ih, deu tilt em vários bolsominions agora...), é mais do que claro que o fluxo livre de caixa descontado, vital para determinar o valor de mercado de uma companhia, depende da liberdade de fixar seus preços de venda e suas margens de lucro. Tudo o que um intervencionista não quer.

É verdade que a maioria dos eleitores de Bolsonaro é, mesmo, formada por bolsominions. Segundo pesquisas qualitativas, trata-se de moleques de classe média e média alta, de 16 a 24 anos. Ou seja, meninos que acabaram de ganhar pelos pubianos e acham que são machos... ainda estão aperfeiçoando as técnicas de onanismo. Quem disse que têm tempo para refletir sobre valutation de empresas e suas correlações com a liberdade de mercado? Mas, se você já passou dessa fase de sexo solitário, por favor: perceba que a conversão de Bolsonaro ao liberalismo é tão fake, quanto uma nota de três reais. Depois, não adianta reclamar – a menos, claro, que você também seja um liberal de mentirinha. Mas, aí, seu autoengano já é um problema de psiquiatria... não de política. Até lá, por favor, fique longe de uma urna.