LAVA JATO

Luciano Huck, o porta-voz da Globo na eleição

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Aconteça o que acontecer, a única certeza é que Huck foi eleito representante da emissora nesta campanha

Luciano Huck, o porta-voz da Globo na eleição

Loucura, loucura, loucura: Huck voltará ao jogo? (Foto: Divulgação/Página Oficial/Facebook)

A participação de Luciano Huck no Domingão do Faustão, neste domingo (7), foi vista por muitos como o lançamento, na prática, de sua campanha para presidente. Não poderia haver palanque mais confortável para tanto. Afinal, Faustão é nacionalmente conhecido por rasgar elogios a todos que recebe em seu programa, transformando qualquer um “no maior” isso ou aquilo do Brasil. Além disso, trata-se, apesar de decadente, do campeão de audiência dominical. Era uma bola e tanto levantada para Huck, que, com a desenvoltura própria de alguém que se tornou um dos maiores comunicadores de massa da atualidade, falou sobre a necessidade de renovação nas eleições de outubro, de engajamento político e, claro, de sua eventual candidatura. Sinceramente, não chego ao ponto de achar que a aparição de Huck, ontem, marcou seu lançamento extraoficial como candidato. Por ora, penso apenas que, aconteça o que acontecer, o apresentador foi eleito o porta-voz da Globo nesta campanha.

Primeiro, porque a emissora procurou tratar com todo o cuidado do assunto, desde quando surgiram os primeiros rumores de que Huck poderia se candidatar. Ciosa de sua imagem, de seus contratos publicitários e do impacto de algo do tipo, a Globo teria dado um ultimato ao apresentador: se sair candidato, não volte mais. Logo, é impensável que a presença de Huck no Faustão, neste domingo, tenha ocorrido à revelia da cúpula da emissora. É muito provável que os Marinho e a alta direção a tenham aprovado e, sobretudo, esmiuçado o roteiro da “entrevista”. Se isto for verdade, a Globo mostrou, em rede nacional, o que espera dos presidenciáveis neste ano, além, claro, de sugerir aos eleitores o que procurar em meio a tantos “santinhos do pau-oco” que emporcalharão as calçadas até outubro.

Em linhas gerais, Huck tratou a crise política como uma “fratura exposta”, com o “derretimento da classe política”. Trata-se, de acordo com o apresentador, de uma oportunidade única de renovar os quadros, já que os atuais deixam toda a sociedade, incluindo ele, “envergonhada”. Emendou, dizendo que a renovação deve vir das eleições, e incitou os brasileiros a votarem com “consciência”. Rechaçou a ideia de ser um “salvador da Pátria”, rogou pelo fim da polarização política e pela construção de pontes entre a esquerda e a direita. Rejeitou quem pede “a volta da ditadura” e disse que a única arma legítima é o voto. Defendeu investimentos prioritários em educação e ressaltou a necessidade de “colocar a mão na massa” para ajudar o país.

Super Trunfo

Ao montar um palanque eletrônico para Huck, a Globo declarou em alto e bom som o que espera dos candidatos e, portanto, que tipo de presidenciável está disposta a apoiar. Se é verdade que, por meio do apresentador, a emissora rejeita a polarização, então, pelo menos, dois nomes já estão fora do seu cardápio: o do petista Luiz Inácio Lula da Silva, que ensaia um discurso mais radical neste pleito, acossado pela Lava Jato e constrangido pelas barbaridades cometidas por seu “poste, Dilma Rousseff; e Jair Bolsonaro, que representa a extrema-direita e se alegra de não manjar nada de nada, crescendo à base de preconceitos, misoginia, autoritarismo, bravatas e outras loucuras.

Logo, a Globo, por meio de Huck, disse aos políticos e à população que espera alguém novo, comedido e comprometido com mudanças, sem radicalismos. Traduzindo: alguém do centro, não contaminado pela Lava Jato. Se encontrará um nome com este perfil entre os políticos profissionais (incluindo o atual prefeito de São Paulo, João Doria, ou Rodrigo Maia, que preside a Câmara), são outros quinhentos.

Como já escrevi neste mesmo espaço, o fato é que Huck é candidato a ser o maior cabo eleitoral de 2018. Seria ótimo para a Globo, portanto, se seu prestígio ajudasse a eleger alguém alinhado aos interesses da empresa. Na dúvida, pelo sim, pelo não, o apresentador e a emissora deixaram a porta aberta para sua própria cartada. Afinal, não seria ótimo ser patrão, de fato, do próximo presidente? Basta lembrar que Huck afirmou a Fausto Silva que está feliz com seu programa de sábado, mas não descartou taxativamente a candidatura: “O que o destino e o que Deus esperam para mim, vou deixar rolar.” Poderia acrescentar: e a família Marinho.