LAVA JATO

Nem a bancada BBB leva Bolsonaro a sério

Author

A postura de machão da quinta série D de Bolsonaro só causa má impressão em quem deveria apoiá-lo naturalmente

Nem a bancada BBB leva Bolsonaro a sério

Bolsonaro: nem conservadores estão convencidos (Foto: Divulgação/Facebook)

Quando se lançou ao Planalto, Jair Bolsonaro imaginava que sua candidatura aglutinaria naturalmente toda a direita, a ponto de transformar-se num rolo compressor irresistível. Nenhum mortadela, petralha, comunista, coxinha, socialista fabiano ou, simplesmente, vacilão ficaria em seu caminho. Seriam esmigalhados. Mas o deputado está preso num paradoxo: mesmo com 20% das intenções de votos e na vice-liderança da disputa, Bolsonaro é incapaz de reunir um apoio político consistente, que lhe garanta tempo de TV e palanques fortes pelos Estados. Nesta semana, ficou claro, inclusive, que nem a bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia), que representa o que há de mais conservador no Congresso, o leva a sério.

Segundo o Estadão na última quinta-feira (30), as principais lideranças da bancada o encaram, no máximo, como um plano B para o segundo turno, caso o candidato que apoiem não chegue à etapa final da eleição. E, mesmo que isso venha a acontecer, não significará uma adesão entusiasmada, cheia de coraçõezinhos e declarações de amor eterno. Ruralistas, evangélicos e políticos ligados à segurança pública estão conscientes de que embarcariam na candidatura de alguém que, segundo eles mesmos, é “radical”, “inexperiente” e “isolado politicamente”, além de não entender de economia, num momento em que essa é a área-chave para que a qualidade de vida dos brasileiros dê um salto.

Dizer que dará um fuzil a cada proprietário rural para que se defenda do MST pode soar bem para radicais de direita e pessoas de cabeça oca, mas causa frio na espinha dos ruralistas. O motivo é simples: ninguém quer começar uma guerra no campo entre sem-terra e latifundiários. Quem tem um mínimo de juízo sabe que o primeiro tiro contra o MST iniciará uma espiral de violência – ou alguém imagina que o movimento não pensará, nem por um instante, em criar e armar sua própria milícia, a fim de responder a bala as tentativas de rechaçá-los a bala?

Bala por bala, pente por pente

Tampouco quem representa a segurança pública está à vontade com Bolsonaro. Há poucos dias, o deputado afirmou que policial que não mata não é policial. Trata-se de outra frase de efeito perfeita para posts no Facebook, mas, se aplicada na prática, levará a outra escalada dos confrontos que deixará policiais mortos e famílias órfãs. No momento em que o foco da bancada da bala é denunciar as más condições de trabalho dos policiais e as mortes que se avolumam, Bolsonaro assinala com tiro, bomba e porrada. Seria, no mínimo, infantil imaginar que os bandidos se borrarão de medo. Encomendarão armas mais pesadas, se tornarão mais truculentos, no melhor estilo Hamurabi: bala por bala, pente por pente.

De prático, a postura de machão da quinta série D de Bolsonaro só causa má impressão em quem deveria apoiá-lo naturalmente. E, em vez de ouviu humildemente o que lhe sugerem, faz o que sempre fez: responde com patadas. É o caso da reação às declarações do deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), da Frente Parlamentar da Agropecuária. Ao saber que Sávio afirmou, após a reunião da FPA com o presidenciável, que os proprietários rurais não querem alguém que aumente a insegurança no campo, Bolsonaro foi polido como uma AK-47: “vamos ver se esse vaselina vai resolver o problema da violência.” Isso, porque ele foi pedir apoio e votos para Sávio e seus pares...