ECONOMIA

O que acontecerá no mundo em 2018 (e o que temos a ver com isso)

Author

Do nacionalismo europeu às eleições parlamentares nos EUA, passando pelo 200º aniversário de nascimento de Marx, eis um trailer do que veremos no ano que vem

O que acontecerá no mundo em 2018 (e o que temos a ver com isso)

Arroz de festa: o que vão aprontar Trump, Kim e Putin? (Imagem: Reprodução/YouTube)

2018 não guarda fortes emoções apenas para o Brasil. Por todo o mundo, os principais países preparam-se para tomar decisões fundamentais que repercutirão não apenas sobre seus próprios cidadãos, mas também sobre gerações e gerações de terráqueos, onde quer que eles estejam. Ao mesmo tempo em que essas nações prestam atenção no que sairá da eleição brasileira em outubro e da Lava Jato, a fim de decidirem como se relacionarão conosco daqui para a frente, também devemos ficar atentos ao que farão. Afinal, embora, às vezes, tenhamos certeza de que o Brasil fica em outro planeta, no fim das contas dependemos da política e da economia mundiais, tanto quanto qualquer outro povo.

Alguns processos nos acompanharão durante todo o ano, como a saída do Reino Unido da União Europeia (o famoso Brexit), o sucesso ou fracasso dos governos de Angela Merkel, na Alemanha, e de Emmanuel Macron, na França, o avanço da China, o programa nuclear norte-coreano e o combate ao terrorismo. Mas alguns fatos têm data e hora para acontecer – e podem estremecer ou fortalecer nossa confiança em dias melhores. Por isso, aí vai uma prévia dos grandes momentos que o mundo nos reserva no ano que vem, com base na edição especial da revista britânica The Economist, uma das mais respeitadas no planeta.

Janeiro

Teremos futuro juntos?

A 48ª edição do Fórum Econômico Mundial, programada para 23 a 26 de janeiro na cidade suíça de Davos, proporá que seus participantes quebrem a cabeça em busca de uma resposta para a polarização que racha a humanidade atualmente. Seu tema será “Creating a shared future in a fractured world” (algo como “Criando um futuro compartilhado, num mundo fraturado”). Nas peças de apresentação do Fórum já divulgadas, os organizadores afirmam que diversas fissuras geoestratégicas ressurgiram na política global, numa alusão à polarização entre Estados Unidos e China, de um lado, e Estados Unidos e Rússia, de outro, além do maluco do Kim Jong-Un testando mísseis nucleares, o recrudescimento de discursos racistas e nazistas etc. Além, é claro, da fratura entre os super-ricos e os extremamente pobres... mas, a nata político-econômica mundial talvez não toque nesse tema de mau gosto em Davos...

Março

Itália sacode a União Europeia

Os italianos preparam-se para eleger um novo parlamento, algo que será acompanhado de perto pelos europeus e por todo o planeta. Isto porque a Itália é parlamentarista. O líder do partido que conquistar a maioria das cadeiras deve se tornar, automaticamente, o novo primeiro-ministro, sucedendo a Paolo Gentolini. O suspense é se o nacionalista 5 Estrelas, liderado por Luigi Di Maio, confirmará o favoritismo. Di Maio já avisou que, se vencer a eleição, pode realizar um plebiscito sobre a permanência da Itália na União Europeia e a adoção de uma moeda nacional.

O tricampeonato de Putin

No ano em que a Rússia sediará a Copa do Mundo de Futebol, Vladimir Putin tentará seu terceiro mandato como presidente – e tem tudo para levar o caneco. Duas vezes primeiro-ministro e, atualmente, cumprindo seu segundo mandato presidencial, Putin ganharia mais seis anos no Kremlin para continuar a concretizar seu sonho expansionista. O que seu colega americano, Donald Trump, fará é um mistério. Trump morde e assopra os russos constantemente. Sua última incontinência verbal foi eleger a Rússia e a China como os verdadeiros “adversários” dos americanos pela supremacia global.

Abril

O fim da Era Castro em Cuba (será mesmo?)

Inspiração para jovens revolucionários em todo o mundo durante décadas, a mítica Cuba dos irmãos Castro e de Che Guevara deve chegar ao fim em 2018, após quase 60 anos sob seu domínio. Raúl Castro assumiu o poder em 2006, após seu famoso irmão Fidel adoecer. A mudança de comando estava prevista para fevereiro, mas, em 21 de dezembro, a Assembleia Nacional anunciou seu adiamento para 19 de abril. O motivo alegado foi a necessidade de Raúl concluir a recuperação da ilha, após a destruição causada pelo furacão Irma em setembro. A presidência cubana deve ser ocupada pelo vice de Raúl, Miguel Díaz Canel.

Maio

Proletários de todo o mundo, e agora?

O 200º aniversário de nascimento de Karl Marx será um prato cheio para revisar sua obra à direita e à esquerda. O embate entre marxistas e a rapa promete trovoadas, raios e palavrões. De um lado, a transição de poder em Cuba, a guinada da China para um regime de liberdade econômica e autoritarismo político, a falência dos governos de esquerda na América Latina. De outro, os dez anos da quebra do Lehman Brothers, o aumento da concentração de renda, a retirada de direitos trabalhistas e sociais e o (des)governo Trump. A briga será feia.

Julho

Que México vem aí?

Os mexicanos já especulam quem será o sucessor de Enrique Peña Nieto na presidência. Tudo indica que a eleição será polarizada entre seu preferido, José Antonio Meade, e o candidato da esquerda Andrés Manuel López. Meade deixou o ministério da Fazenda em novembro, num gesto interpretado como o primeiro passo para pavimentar sua candidatura pelo PRI. Já López, com um discurso tido como populista, assusta os investidores e parte do eleitorado. No inconsciente coletivo, ainda repercute os ataques do presidente americano Donald Trump, que pretende obrigar o México a pagar pela construção do muro na fronteira entre os dois países. Vencerá quem souber manejar os temores explícitos e inconscientes dos eleitores.

Setembro

Grande demais para esquecer

A falência do banco americano de investimentos Lehman Brothers completará dez anos. Sua quebra é considerada o marco da crise de 2008, que começou com o estouro da bolha hipotecária dos Estados Unidos e se alastrou pelo mundo, transformando-se numa crise econômico-financeira que arruinou bancos e governos nos anos seguintes e foi apontada como o pior período desde a depressão que se seguiu ao Crash de 1929. Será, sem dúvida, um importante pretexto para debater os limites do liberalismo econômico que gestou a bolha e pariu a crise.

Novembro

Acerto de contas com Trump

Em novembro, os americanos dirão, nas urnas, se aprovam o governo Donald Trump. As eleições para o Congresso darão o veredicto: se os republicanos assegurarem a maioria das cadeiras, será a prova de que, apesar de toda a polêmica e os sobressaltos, Trump está agradando seu povo. Já a vitória dos democratas representará o início do fim de seu governo.