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PT quer se aliar a “golpistas” em 2018: dá para levar esse partido a sério?

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E lá virão os militantes pagos e os fanáticos patológicos atacarem quem não entende “a complexidade do momento político”

PT quer se aliar a “golpistas” em 2018: dá para levar esse partido a sério?

(Foto: Dilvugação/Perfil Oficial de Renan Calheiros/Facebook)

Atenção, petistas fanáticos: seu partido está prestes a fazê-los de trouxa e obrigá-los a engolir a tese do “golpismo” que teria determinado o impeachment de Dilma Rousseff. Em uma extensa entrevista ao Estadão desta sexta-feira (03), o pré-candidato da legenda ao governo de São Paulo, Luiz Marinho, afirmou com todas as letras que “o PT deve permitir aliança com partidos que apoiaram o ‘golpe’”. As alianças com os “golpistas” foram proibidas pelo diretório nacional do partido, mas Marinho argumenta que a cúpula petista “vai saber trabalhar a complexidade momentânea da política brasileira.” E emendou, dizendo que o objetivo maior do PT é reconquistar a maioria dos eleitores brasileiros para voltar ao poder. Para tanto, vale tudo – até fazer o diabo abraçado aos caciques que o apartaram do Planalto.

Para mostrar que não se trata de uma posição isolada de um petista delirante, o Estadão lembrou que o PT já articula alianças com o PMDB (o partido que liderou o “golpe” contra Dilma e ao qual pertence seu novo arqui-inimigo Michel Temer) em oito Estados. Oito! A saber: Ceará, Minas Gerais, Paraná, Alagoas, Piauí, Sergipe, Tocantins e Goiás. No Ceará, o peemedebista Eunício Oliveira, atual presidente do Senado, aliado de Temer e investigado pela Lava Jato, negocia parceria do seu PMDB com o governador petista Camilo Santana. Em Alagoas, o PT oficializou o retorno para a base de apoio do governador Renan Filho e, agora, quer em troca a secretaria de Educação. No Piauí, o governador petista Wellington Dias conta com o PMDB em sua base. Em contrapartida, em Sergipe, são os petistas que integram o gabinete do governador peemedebista Jackson Barreto.

Realpolitik de boteco

De acordo com Marinho, apesar da permissão, as alianças não representarão um “liberou geral”. Por enquanto, contudo, só há um tabu: o PT não deve se unir ao PMDB em São Paulo, reduto do sórdido golpista Temer. Eu sei... eu sei... já posso ouvir os fanáticos militantes soltando perdigotos, enquanto berram que a “complexidade política brasileira” impede que tratemos tudo de forma tão simplista e maniqueísta. É preciso saber que o PMDB é uma confederação de caciques regionais e nem todos são tão maus. E, por fim, às vezes, a luta pela justiça social e pela redenção dos oprimidos requer sacrifícios, como selar pactos com o diabo de ontem, tratado como santo na eleição de hoje.

Trata-se de uma realpolitik de boteco. De um pragmatismo político de centro acadêmico de faculdade de humanas. Além disso, contradiz a própria postura petista nas últimas eleições (a de 2014, para a Presidência, e a de 2016, para prefeitos). Nelas, o PT insistiu na divisão do país, batendo na tecla do "nós contra eles". É totalmente incoerente, portanto, que o PT exija dos críticos uma visão nuançada do cenário político, enquanto o próprio partido empurra o eleitorado a uma dicotomia mental-eleitoral.

Por isso, à parte quem é pago para dizer tais bobagens e quem é patologicamente fiel ao PT, a dúvida é saber como os mais lúcidos (ainda existem?) lidarão com isso. De prático, a experiência mostrou que, ao se aliar com o que havia de mais esdrúxulo, apodrecido e retrógrado na política brasileira, o PT apenas destruiu tudo o que sempre defendeu, afastou simpatizantes, perdeu votos e o poder. De quebra, jogou o país no colo de quem sempre o comandou: as elites reacionárias regionais. Francamente: ainda dá para levar o PT a sério?