ECONOMIA

Temer volta a ser um vice decorativo (agora, de Rodrigo Maia)

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Tudo o que Temer terá a fazer, de agora em diante, é arranjar dinheiro para sustentar o governo Maia

Temer volta a ser um vice decorativo (agora, de Rodrigo Maia)

(Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Seja nesta quarta-feira (25) ou na semana que vem, a Câmara rejeitará a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República (a última lembrança dos tempos de Rodrigo Janot) contra Michel Temer. Na prática, porém, a votação que perdoará Temer elegerá, também, um novo presidente do Brasil: Rodrigo Maia, o comandante da Câmara dos Deputados, reduzindo Temer novamente a um vice decorativo de luxo, acomodado no Planalto apenas para limpar as gavetas na transição de poder em 2018. Não é à toa que Maia engrossou a voz nos últimos dias. Ele sabe que o peemedebista sairá desse episódio respirando por aparelhos, e o poder de colocar em votação os projetos que interessam (ou não) ao país estará em suas mãos – e, com isso, o comando da nação.

As medidas mais importantes (e, também, as mais polêmicas) são, claro, as que tentam destravar a economia, com destaque para a reforma da Previdência. É um tema para lá de polêmico. Em tempos normais, já renderia tremendos bate-bocas entre quem a apoia e quem a rejeita. Mas, a menos que você esteja chegando agora dos Sete Reinos de Westeros, já está careca de saber que a Lava Jato, a desaprovação recorde ao governo e a proximidade das eleições aumentam ainda mais a indisposição dos parlamentares de votar propostas que enfureçam o povo.

Tesoureiro

Por isso, Maia está na cadeira mais poderosa do Brasil neste momento. Como presidente da Câmara, terá muitas cartas para jogar até 2018. A primeira é escolher que projetos serão votados pelo Plenário – e em que momento eles entrarão na pauta. Isso permite que Maia acelere, freie ou simplesmente elimine a estratégia que Temer e Henrique Meirelles, seu ministro da Fazenda, elaboraram para tirar o país da crise. A segunda é reunir um grupo próprio de deputados que votem conforme sua orientação. Assim, não basta que Temer e Meirelles convençam o deputado carioca a agendar a votação desta ou daquela matéria; será necessário, também, conquistar o apoio dele e de seu grupo para que seja aprovada conforme o interesse do Planalto.

O que nos leva à terceira carta: no Brasil, nenhum presidente conquista apoio para seus projetos, no Congresso, apenas pela sua capacidade de despertar o que há de mais nobre e generoso nos nossos políticos. Entre o verbo e a verba, os parlamentares sempre preferiram a última, seja para agradar suas bases eleitorais, seja para finalidade bem menos edificantes. Ao centralizar o poder em suas mãos, Maia terá condições de barganhar mais emendas, mais dinheiro para suas bases e seus aliados. Com isso, Temer não será reduzido apena a um vice decorativo, mas trabalhará ainda como o tesoureiro do presidente da Câmara, que começa agora. Um governo que cobrará cada vez mais caro para levar o país para o rumo certo. Tudo o que Temer terá a fazer, doravante, é arranjar dinheiro para sustentar o governo Maia. Mas essa é a parte mais fácil – basta pegar do bolso de todos os brasileiros.