POLÍTICA

Um rombo de R$ 139 bilhões: eis o que espera o próximo presidente

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Ninguém se elege dando más notícias, mas deveria. Explicar os sacrifícios necessários para tapar o rombo seria um sinal de maturidade dos candidatos e dos eleitores

Dívida social e pindaíba fiscal: próximo governo terá de rebolar para atender às demandas urgentes (Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)
Dívida social e pindaíba fiscal: próximo governo terá de rebolar para atender às demandas urgentes (Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)

Enquanto milícias ideológicas perdem tempo atacando rivais, jornalistas e quem mais não se curvar à sua lógica de capitão-do-mato, a fim de defender seus candidatos ao Planalto, fatos realmente importantes são jogados para baixo do tapete destas eleições presidenciais. Um dos mais importantes tem o potencial de arrasar com qualquer ideologia voluntariosa de esquerda ou direita defendida por presidenciáveis bravateiros. Trata-se do rombo de R$ 139 bilhões nas contas públicas, previsto para o ano que vem. Sim, minhas senhoras e meus senhores, enquanto se perde um tempo precioso discutindo qual candidato é mais machão, a realidade é que o primeiro ano de mandato do próximo presidente será de uma penúria de dar dó.

Apresentado na última quinta-feira (12), o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2019 prevê um déficit primário correspondente a 1,84% do PIB. É verdade que, se cumprido, será menos que os 2,25% estimados para este ano, mas, nem de longe, é algo que possa se comemorar. Até porque, segundo o Ministério do Planejamento, a falta de reformas estruturais já alterou consideravelmente o quadro para os outros anos de mandato do próximo presidente. Em 2020, o rombo projetado subiu de R$ 65 bilhões para R$ 110 bilhões. E, em 2021, a primeira estimativa é de um buraco de R$ 70 bilhões.

Penúria

Traduzindo: pelo menos três dos quatro anos de mandato do próximo presidente ocorrerão sob uma profunda crise fiscal – a velha e preocupante falta de dinheiro público para cumprir os compromissos do governo, como pagar aposentados e pensionistas, funcionários públicos, investir em educação, saúde e seguranças etc. Quem quer se suceda a Michel Temer, em janeiro, precisará de muitos mais que bravatas e molecagens verbais para comandar o país, como faz o atual líder da corrida, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL). Gabando-se de não saber nada de economia, praguejando contra quem sabe, irresponsável com o dinheiro público, a ponto de usar o auxílio-moradia “para comer gente”, Bolsonaro não é, nem aqui, nem na China, alguém a altura dos gravíssimos problemas que nos esperam.

Isso não exime os demais candidatos da leviandade (ou pura omissão) com que tratam o tema. Como ser populista e fazer proselitismo com as esperanças dos brasileiros, dizendo que não há dinheiro e que reformas serão necessárias? Ninguém se elege dando más notícias. Mas deveria. Seria um sinal de maturidade dos candidatos e dos eleitores.