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Crise do bitcoin: por que ele está despencando e aonde vai parar?

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Após crescer 1.400% em 2017, moeda perde quase metade de seu valor em 30 dias

Crise do bitcoin: por que ele está despencando e aonde vai parar?

(Imagem: Creative Commons)

Até o mais arrojado investidor que comprou bitcoin nos últimos dois meses deve ter suado frio. Nesse curto espaço de tempo, dois grandes fatos levaram a criptomoeda a picos antes inimagináveis e, mais recentemente, a uma depressão e crise de confiança. Mas por que tudo isso aconteceu? E, mais importante, qual é o futuro da tecnologia?

No final de 2017, empolgados pela entrada do bitcoin na Bolsa de Chicago, novos investidores correram para garantir sua fatia dessa torta digital. A moeda, então, quase bateu US$ 20 mil, uma valorização de incríveis 1.400% em um ano. Especialistas começaram a alertar sobre um possível estouro da bolha, e ele parece ter acontecido antes do que se pensava, com uma ameaça vinda do outro lado do mundo.

China e Coreia do Sul abriram o ano anunciando suas intenções de regular o uso das criptomoedas, o que pode comprometer a característica mais importante do bitcoin: a independência de bancos centrais. Esse fator, aliado a um ajuste natural do mercado, fez o valor da moeda cair quase pela metade num período de 30 dias - neste fim de sexta-feira, ela está custando cerca de US$ 11,5 mil.

Parte do mercado acredita que investidores fugiram do bitcoin em janeiro e voltaram a depositar sua confiança no ouro - que subiu 7,5% nos últimos 30 dias. Até então, muitas pessoas estavam enxergando a moeda digital como boa alternativa ao metal.

Outro fator importante para o descrédito momentâneo do bitcoin é que o sistema garantidor da eficiência e segurança das transações virtuais foi muito abalado pelo crescimento repentino de 2017. Saques passaram a demorar horas, e as taxas de transferência também aumentaram demais, tornando inviável o uso da moeda para compras (ou seja, só guardou bitcoin quem estava especulando no mercado).

A queda abissal da criptomoeda está fazendo surgirem alguns ex-bilionários. Lembra dos irmãos Cameron e Tyler Winklevoss? Conhecidos por terem processado Mark Zuckerberg, alegando que o criador do Facebook roubou a ideia deles na construção da rede social, os gêmeos fizeram a fortuna de US$ 1,7 bilhão com bitcoins. Esse dinheiro derreteu 37% nas últimas semanas.

É muito difícil prever o futuro (isso é o que faz a especulação atrativa, afinal). O diretor executivo da BitMEX, uma importante plataforma de transações, acredita que o bitcoin vai se recuperar ainda neste ano e atingir o patamar de US$ 50 mil. Mas, num curto prazo, a consultoria MarketWatch prevê que ele ainda cairá mais 20%, ficando abaixo dos US$ 8 mil.