TECNOLOGIA

O Facebook ouve tudo o que você fala ou é teoria da conspiração?

Author

“Mas como é que mandaram um anúncio justamente sobre o que estávamos falando?"

O Facebook ouve tudo o que você fala ou é teoria da conspiração?

(Foto: Creative Commons)

Esses dias eu estava num bar com amigos, quando um deles me indicou um livraço: a biografia do George Martin, famoso produtor dos Beatles. Fiquei interessado, mas juro que não busquei nada na internet a respeito. E tomei o maior susto quando, ao chegar em casa, chequei o Facebook e me deparei com uma propaganda do tal livro.

Bruxaria? Ah, não, já sei no que você está pensando. Com certeza esse smartphone anda escutando tudo o que eu falo. Afinal, é o assunto do momento. Todo mundo acha que essas redes sociais estão bisbilhotando nossa vida, até mesmo a parte que não colocamos lá voluntariamente. Mas isso é verdade? A máquina de anúncios da internet realmente está invadindo nossa privacidade a esse ponto para vender bugigangas?

A resposta, muito provavelmente, é não. Tanto Facebook quanto Google negam essa prática e explicam com um argumento simples: daria o maior trabalho do mundo e consumiria uma quantidade imensa de dados monitorar todos os celulares.

Por exemplo: quando você usa uma assistente de voz, como a Siri, da Apple, suas frases vão para um servidor na internet, e lá máquinas poderosas processam a informação e retornam os resultados da sua busca. Imagine se as companhias estivessem te escutando sempre. A quantidade de arquivos de áudio em constante upload seria tão grande que você, certamente, notaria a explosão na sua conta de telefone.

Mas então o que explica os anúncios mágicos do Facebook?

Bem, no último fim de semana minha mãe estava em casa falando que tinha vontade de navegar num cruzeiro. Alguns minutos depois, recebi propaganda de uma agência de viagens em meu celular, no Facebook. A hipótese mais provável para explicar tal fato é que minha mãe já havia pesquisado sobre o assunto, usando o tablet dela, na mesma conexão Wi-Fi. Logo a rede social mandou o anúncio com base no IP e acabou acertando o meu smartphone.

Outra explicação, mais psicológica: assim que você ouve falar de um assunto, como a volta da moda dos chokers, não é comum passar a perceber que todas as garotas na rua estão justamente com a tal gargantilha? É apenas nosso cérebro prestando atenção e fazendo conexões entre conversas e o que enxergamos. Um anúncio no Facebook pode ser apenas isso também - ele sempre esteve lá, mas você não tinha percebido.

Certo, mas e num caso tão específico, como o livro do produtor dos Beatles? Aí a tecnologia provavelmente está envolvida, mas não da maneira que você pensa. A rede social não estava escutando meu amigo falar, ela simplesmente ligou os pontos. Talvez o cara tivesse pesquisado sobre o livro ou postado algo no Facebook a respeito. Por meio do GPS, a rede social percebeu que estávamos nos encontrando. Viu também que ambos curtimos a página dos Beatles. Sacou? Os robozinhos usaram as ferramentas disponíveis para bater interesses comuns e acertaram em cheio.

É claro que a gente se assusta quando a tecnologia vai tão na mosca em nossos interesses. E as empresas dão muitos argumentos para a desconfiança, como o fato de o Google gravar trocentos áudios do seu smartphone para, segundo eles, melhorar as ferramentas de reconhecimento de idioma (quer ouvir? É só clicar aqui). Mas esse caso do celular espião, para nosso alívio, deve ser mesmo só teoria da conspiração.