TECNOLOGIA

Para o bem e para o mal, 2017 foi o ano dos robôs

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Entre avanços e polêmicas, as máquinas invadiram o varejo, foram acusadas de gentrificação, fizeram discurso na ONU e até aprenderam a dar mortal de costas

Para o bem e para o mal, 2017 foi o ano dos robôs

(Foto: Divulgação/Hanson Robotics)

Essa robô assustadora se chama Sophia. Ela existe há quase dois anos, mas em 2017 a humanóide que anda, fala e tem 62 expressões faciais usou toda sua inteligência artificial para bombar na mídia. Deu entrevista a vários programas de televisão, fez discurso na Organização das Nações Unidas sobre como as máquinas podem ajudar os seres humanos e até virou cidadã na Arábia Saudita. Em suma, personificou a clara impressão de que este ano pode ser considerado como a chegada oficial dos robôs às nossas vidas.

Embora seja a máquina mais sociável andando por aí, talvez Sophia nem esteja entre as mais espertas. Especialistas dizem que ela representa mais um esforço hercúleo de programação do que um desenvolvimento autônomo de inteligência artificial. Mas o fato é que ela virou símbolo de como os robôs têm ocupado espaço em nossa rotina. E uma coisa já é consenso: ao mesmo tempo em que eles tendem a facilitar as atividades das pessoas, representam uma ameaça ao nosso modo de viver.

Hillary Clinton diz temer o processo de automação do trabalho, e isso parece um risco verdadeiro. A Amazon, gigante americana do varejo, “contratou” para o seu quadro de funcionários cerca de 75 mil robôs este ano - de simples máquinas de estoque a drones entregadores de mercadorias. Estima-se que, residualmente, esses números tenham afetado a oferta de empregos nos Estados Unidos, tendo em vista que 170 mil pessoas foram demitidas em áreas do varejo nas quais a empresa compete.

Se os carros autônomos também podem ser considerados robôs (e por que não seriam?), eles se apresentam como mais um exemplo do avanço na automação de tarefas em 2017. A tecnologia evoluiu a passos largos, táxis que se dirigem sozinhos já rodam em alguns países em projetos experimentais e 55 cidades pelo mundo se comprometeram a, pelo menos, testar a novidade em breve, de acordo com a Bloomberg.

Mas se os robôs sociais, os substitutos de mão de obra humana e os carros são os que mais chamam a atenção, outros modelos que desempenham funções menos elegantes também tiveram sua importância este ano. O Marble, por exemplo, usa a tecnologia dos veículos autônomos, com câmeras e radares, para circular nas calçadas de São Francisco trabalhando como entregador de um restaurante.

Para o bem e para o mal, 2017 foi o ano dos robôs

(Foto: Divulgação/Knightscope)

Outro dróide pequeno, o Knightscope K5, trabalha como vigilante em shoppings e estacionamentos na cidade - quando verifica algum comportamento fora do padrão, chama a polícia. Na semana passada, ele até causou polêmica ao intimidar moradores de rua na calçada de um abrigo para animais. As autoridades da região não deixaram por menos e “demitiram” o robô por prática de gentrificação.

O último cabeça de lata a chamar a atenção neste ano foi o Atlas, da Boston Dynamics, mostrando que os robôs tiveram também uma grande evolução em suas capacidades físicas. O humanóide já consegue se equilibrar muito bem em duas pernas e dá até um salto mortal para trás (veja no vídeo abaixo). A expectativa é que, em breve, ele possa ser usado em missões de resgate em situações adversas para os humanos, como nevascas.

Os exemplos mostram como os robôs são promissores num futuro próximo. Ao mesmo tempo, escancaram alguns problemas de relação entre eles e nós, humanos. Talvez seja um bom momento para a sociedade refletir sobre os percalços e definir caminhos. As máquinas que pensam já estão por aí, mas até que ponto é saudável usá-las?