SAÚDE

Pílula com chip ajuda quem vive esquecendo de tomar o remédio

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Ao entrar em contato com o ácido do estômago, o comprimido - indicado para pacientes em tratamento de distúrbios psiquiátricos - avisa o médico e parentes.

Pílula com chip ajuda quem vive esquecendo de tomar o remédio

(Foto: Divulgação/Proteus)

Um assunto sério no tratamento de muitos pacientes idosos ou com distúrbios psiquiátricos é a dificuldade de acompanhar se eles estão tomando seus remédios corretamente.

Até mesmo gente com plenas condições mentais falha em seguir as orientações do médico. Pesquisa do Epilepsy Research, do Reino Unido, mostra que 46% das pessoas com epilepsia esquecem de ingerir seus comprimidos ao menos duas vezes por mês.

Para combater esse problema, a Food and Drug Administration (FDA), agência americana responsável por proteger e promover a saúde pública, acaba de aprovar o uso de pílulas com chips. A novidade cria um registro de que o paciente tomou o remédio. Quando ele não fizer isso, o médico ou os parentes mais próximos podem ser avisados.

Funciona assim: o comprimido tem um sensor que é ativado quimicamente ao entrar em contato com os ácidos do estômago. Então, ele se comunica com um adesivo eletrônico colado na pele do paciente. Por meio de uma conexão bluetooth, esse aparelho grava a informação num aplicativo, que pode ser acessado via celular.

A pílula que receberá essa tecnologia será a Abilify MyCite (aripiprazole), uma droga que trata esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão. Mas, em teoria, qualquer tipo de comprimido pode receber tal sensor - que tem o tamanho de um grão de areia e é feito de silício, cobre e magnésio. Tudo é digerido sem problemas pelo corpo humano.

Quem desenvolveu a tecnologia foi a empresa farmacêutica Otsuka, do Japão, em conjunto com a companhia de serviços médicos digitais Proteus. Segundo o americano "Wall Street Journal", as duas corporações e a FDA esperam que, nos próximos meses, haja uma chuva de pedidos para aprovação de novas pílulas digitais.

Na comunidade médica, já se discute o quanto isso pode ferir a privacidade dos pacientes. O comprimido espião seria exposição demais de nossa intimidade?