TECNOLOGIA

Por que Hillary Clinton está com medo da inteligência artificial?

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Ex-Secretária de Estado americana acredita que computadores vão roubar os empregos dos humanos e expandir o big brother em que vivemos

Por que Hillary Clinton está com medo da inteligência artificial?

(Foto: Wikimedia Commons)

É mesmo um tanto amedrontador olhar a evolução da tecnologia e perceber que as máquinas estão começando a pensar por si próprias. A cada notícia sobre um novo sistema de machine learning, a gente se pergunta, com aquele pingo de temor, quando os computadores vão se voltar contra os humanos e assumir o controle da Terra. Mas não é por isso que Hillary Clinton, ex-Secretária de Estado americana, está apavorada com essas novidades.

Em entrevista a uma rádio nos Estados Unidos, a candidata derrotada nas últimas eleições para presidente mostrou-se preocupada com duas coisas: os efeitos da inteligência artificial sobre o emprego e a quantidade de câmeras espalhadas pelo mundo, que ameaçam a privacidade.

“Muitas pessoas inteligentes, como Bill Gates, Elon Musk e Stephen Hawking estão soando o alarme, e nós não estamos ouvindo. E o alarme é de que a inteligência artificial não é nossa amiga”, disse Clinton no programa do apresentador Hugh Hewitt.

Sobre o excesso de vigilância, ela acrescentou: “Tudo o que sabemos, dizemos e escrevemos é gravado em algum lugar”. E a respeito de sua preocupação com o emprego, questionou: “O que vamos fazer quando tivermos carros autônomos? Soa como uma grande ideia. Mas como milhões de motoristas de caminhão, táxi e Uber vão se sustentar sem um trabalho?”.

De fato os grandes nomes da tecnologia estão receosos quanto ao papel das inteligências artificiais no futuro. Mas será que Clinton atirou nos alvos certos? Ora, não é novidade falarmos da superexposição nas redes sociais, muito menos de máquinas substituindo mão de obra humana. O que tem a ver com isso o fato de computadores aprenderem coisas?

A política pode estar mesmo preocupada com o assunto, mas sem dúvidas o utiliza para surfar nas críticas a Donald Trump feitas pelos nomões da indústria. No começo do mês, Eric Schmidt, presidente da Alphabet (que é dona do Google) disse estar preocupado com a atuação do governo em relação à inteligência artificial. Tudo porque a China ameaça tirar a supremacia americana no setor.

Então esse falatório todo é jogo político? Ou realmente devemos temer o avanço dos computadores que têm capacidade de pensar e aprender sozinhos? Seja lá qual for seu pensamento, numa coisa Hillary Clinton tem razão: “Não dá mais para colocar esse gênio de volta na garrafa."