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A Pessoa do Ano da Time são as mulheres que romperam o silêncio

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A Pessoa do Ano da Time são as mulheres que romperam o silêncio

Imagem: Reprodução/Time

Todo ano a revista Time imortaliza uma personalidade como a mais relevante do ano, e em 2017 esse posto foi compartilhado por algumas das mulheres mais corajosas entre nós. As "silence breakers", ou "rompedoras do silêncio", como a revista chama, denunciaram os homens poderosos que as assediaram sexualmente, o que desencadeou o movimento global #MeToo, que veio de uma expressão usada há mais de 10 anos pela ativista negra Tarana Burke, para destacar o fato de que a maioria das mulheres sofre com assédio.

A Time acredita que movimento #MeToo está gerando uma mudança social nos Estados Unidos e no restante do mundo, principalmente depois da queda do produtor Harvey Weinstein, magnata acusado de assédio sexual e estupro por dezenas de mulheres da indústria. Além da atriz Ashley Judd, que denunciou Weinstein, e da cantora Taylor Swift que processou o radialista David Mueller por ter enfiado a mão por baixo da sua saia e apertado sua bunda, a capa traz mais três mulheres que não são famosas, mas fizeram história. 

Susan Fowler é uma engenheira da Uber que denunciou seu gerente para o RH da empresa depois que ele sugeriu que ela fizesse sexo com ele, mas mesmo com provas do assédio ela foi ignorada. Fowler pediu demissão e escreveu sua história em um blog, o que levou a uma investigação que derrubou o CEO da empresa. A lobista Adama Iwu, que fez um abaixo-assinado com 148 mulheres da indústria cinematográfica contra a "cultura de discriminação e assédio sexual na política californiana" também aparece na capa da publicação, ao lado de Isabel Pascual, uma agricultora mexicana que fez um tocante discurso na marcha de mulheres, após as denúncias contra Harvey: "Eu digo chega! Perdi o medo. Não interessa se me criticarem, eu posso apoiar outras pessoas que passam pela mesma coisa". 

Além das cinco que mostram o rosto, a capa tem também um cotovelo, que segundo a publicação pertence a uma funcionária de um hospital no Texas, que sofreu assédio, mas teme mostrar o rosto e sofrer retaliações. "A presença dela é um ato de solidariedade, representando todas aquelas que ainda não podem revelar suas identidade", diz a revista. Dentro da publicação, dezenas de outras mulheres, famosas e anônimas, além de alguns homens, como o ator Terry Crews, dão seus depoimentos.

 Mesmo criticado por algumas ativistas por pressionar as vítimas a se pronunciarem mas manter os abusadores no conforto do silêncio, é inegável que o movimento #MeToo tem trazido resultados. Ainda que pressionadas para manter o silêncio, seja por medo de retaliação ou vergonha, muitas de nós temos denunciado nossos abusadores há anos e fomos ignoradas. As denúncias recentes só estão sendo levadas a sério porque vieram de um grupo grande de mulheres brancas, famosas e poderosas, o que mostrou também que nenhuma mulher está livre de sofrer abusos. Depois que elas se pronunciaram, e seus abusadores começaram a arcar com as consequências, parece que o estigma em denunciar está diminuindo. E tomara que isso seja apenas o começo.