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O significado do retorno de Malala ao Paquistão

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O significado do retorno de Malala ao Paquistão
Malala está de volta à sua terra natal

Malala Yousafzai, a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, está de volta à sua terra natal. Longe do Paquistão desde 2012, quando sofreu um atentado que quase a matou, a jovem de 20 anos ainda está jurada de morte no vale de Swat, onde nasceu, e vai permanecer no país apenas por quatro dias. Desde criança, Malala luta para que meninas tenhas acesso à educação, o que ainda é negado em muitas regiões do país. Seu retorno ao Paquistão, onde grupos religiosos conservadores financiam uma campanha de difamação contra a jovem, é um marco importante.

Em outubro de 2012, o ônibus no qual Malala voltava da escola foi interceptado por membros do Talibã. A garota, então com 14 anos, levou tiros na cabeça e no pescoço e ficou entre a vida e a morte. Ela foi submetida a uma cirurgia no hospital militar de Peshawar, mas sua situação era crítica demais para a estrutura do local. Ainda em coma induzido, Malala foi transferida para a Inglaterra, onde passou por mais quatro operações. Sua família permaneceu no Paquistão por meses antes de conseguir a documentação necessária para ficar perto de Malala, que teve que iniciar sua recuperação acompanhada por pessoas desconhecidas. Toda a sua história é contada no livro "Eu Sou Malala", e no documentário "Malala", disponível na Netflix.

O significado do retorno de Malala ao Paquistão

A agenda da jovem no Paquistão não será divulgada porque a vida da garota ainda está em risco, mas com uma pesada escolta do exército paquistanês ela conseguiu visitar sua antiga casa, na cidade de Mingora. Muito emocionada, Malala disse que pensou que nunca poderia retornar ao país. "Eu estou extremamente feliz. Meu sonho se tornou verdade", disse ela à agência de notícias AFP.

Hoje, Malala estuda política, filosofia e economia na universidade de Oxford, no Reino Unido, e diz que quer muito voltar a morar no Paquistão quando terminar seus estudos. O sonho, no entanto, ainda parece distante. A direita conservadora do país não apoia a luta de Malala, que é vista como rebelde, e espalha a ideia de que a garota está envolvida com o ativismo apenas para se promover. Eles afirmam também que Malala teria "abandonado" seu país para receber uma educação gratuita na Inglaterra. Por causa dessa campanha de difamação, muitos moradores do Swat acreditavam que a garota nunca retornaria à sua cidade natal, e isso torna sua visita ainda mais importante.

Depois do atentado sofrido por Malala, o governo do Paquistão finalmente voltou seus esforços ao Vale do Swat que estava sob domínio do Talibã. A população local vivia sob repressão e ameaça, e mortes, incêndios criminosos e ataques com bombas eram comuns. Apenas recentemente a paz foi reconquistada, e as atividades turísticas, base da economia local, foi retomada. A segurança de Malala, porém, ainda é um ponto de preocupação. "A paz voltou a Swat graças aos inestimáveis sacrifícios de meus irmãos e irmãs", comentou a garota durante a visita, que por motivos de segurança, durou pouco mais de duas horas.